A disputa central do nosso tempo é entre democracia e barbárie. Em diferentes partes do mundo, o pensamento fascista cresce, alimentado pela crise econômica que permanece desde 2008, por consequência do agravamento da insegurança social, pelo medo do futuro, e pela descrença nas instituições, que não respondem às necessidades impostas pelo empobrecimento do mundo. O pensamento fascista ocupa as redes digitais, se alimenta com a desinformação e o ressentimento com a ordem vigente, mas no novo tempo preserva sua essência histórica: a negação do outro, o culto à força, a perseguição aos vulneráveis e o autoritarismo como resposta simplista aos problemas complexos.
Na Europa, os resultados eleitorais recentes revelam esse avanço. Partidos de extrema direita cresceram, condicionaram governos e naturalizaram discursos xenófobos e antidemocráticos. Portugal é exemplo importante nesse cenário de caos político, e sinal de esperança. A direita não ofereceu respostas consistentes à precarização do trabalho, ao custo de vida e ao crescente mal-estar social. A extrema direita tentou transformar essa frustração em ódio, mas a vitória da esquerda, do campo democrático, demonstrou que a sociedade não está condenada ao autoritarismo e à xenofobia. Mostrou também que a resposta não está na troca pela troca dos atores políticos, e sim na reorganização do modelo econômico, na reconstrução da esperança e na vitória da democracia como instrumento de transformação da vida real.











