A Folha se notabilizou pelas tretas que soube abrigar em suas páginas, a ponto de manter um verbete "polêmicas" em seu Manual da Redação. Não se trata de mera disputa pela disputa, mas de buscar a contradição para "focalizar mais de um ângulo da notícia", como preconizam os princípios editoriais do jornal.
Por essas e outras, causa algum espanto a tranquilidade com que foi ignorada uma controvérsia a respeito da obra da poeta Orides Fontela (1940-1998), homenageada da Flip, Festa Literária Internacional de Paraty, que termina neste domingo (26).
Pode parecer o nicho do nicho (e é), mas também é fato que a cobertura do evento mobiliza a Folha de forma intensa e particular. Todo ano, os jornais enviam equipes à maratona literária em Paraty (RJ), e a Folha mantém lá também uma programação própria.
A controvérsia veio em cima da hora, uma semana antes da Flip. O editor Luis Dolhnikoff publicou um questionamento a decisões da Hedra, detentora dos direitos da obra da poeta, sobre o destino de "Orides Fontela - Poesia Completa", que ele organizou e lançou em 2015 pela editora.
O editor também criticava a falta de menção ao livro em textos da Folha sobre a poeta publicados meses atrás. "Se a ‘Flip resgata do silêncio a ‘proleta’ Orides Fontela’, e se Orides ‘foi aclamada pela crítica e [é] pouco conhecida do público’, como não referir, em tal texto e tal contexto, uma edição feita para tornar sua obra mais acessível do que jamais fora?", perguntava Dolhnikoff a partir de uma das reportagens que anunciavam relançamentos em volumes separados.








