A coluna seria dedicada ao caso das casas de repouso na City Lapa, em SP, polêmica que eclodiu em vídeo da Folha. Ainda falarei dela por aqui, mas outra questão se impôs: o "lorem ipsum" na capa de sexta (5).

A chamada da primeira página da Folha em latinório rodou as redes sociais como um escândalo, o que soava também um pouco irônico diante da grande queda de circulação do jornal impresso nas últimas décadas.

A repercussão parecia ser catalisada pelo conteúdo. O título ia para "Flávio fala em guerra espiritual contra Lula em ato evangélico", e a caixa de texto metia o "lorem ipsum" na disputa política.

Flávio, o pré-candidato do PL nascido Bolsonaro, aparecia na foto do alto da página ladeado pelo governador de SP, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pelo prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB). O trio político estava a bordo de um trio elétrico na Marcha para Jesus, em SP.

O latinório era obviamente um problema enorme e estridente da chamada, mas havia ainda outro, em bom português. O título que se salvou era menos equilibrado do que o interno, em Política, que conseguia um contraponto: "Flávio cita ‘guerra espiritual’, e Messias diz que Marcha para Jesus não é lugar para comício".