Tem uma conversa sobre IA que eu não vejo acontecendo. A discussão honesta do dia a dia, o efeito real da ferramenta no trabalho, o que muda e o que não muda na arquitetura de um sistema, isso eu tenho noção e opinião formada. Mas tudo isso opera num andar de baixo. Tem um andar de cima que eu sentia que estava ali e nunca tinha conseguido enquadrar.
Li o Technofeudalism do Varoufakis no ano passado e fiquei com a coisa cozinhando no fundo da cabeça desde então. Daquela leitura que não fecha de imediato mas vai deixando ressaca. Outro dia, vagando com insônia pelo X de madrugada, esbarrei numa thread sobre a encíclica Magnifica Humanitas que o Leão XIV tinha acabado de publicar. Sou católico não praticante, e talvez por isso quis ver o que o Papa atual estava dizendo sobre IA em vez de descartar como conversa de sacristia. Li o texto na sequência, e foi a leitura do Papa que finalmente me obrigou a voltar pro grego com outros olhos.
Os dois são desconfortáveis e parciais nas suas próprias formas, mas juntos descrevem um algo que vinha me incomodando sem ter nome.
Vou tentar puxar esse fio.
O mecanismo: o que o Varoufakis viu














