Jürgen Habermas morreu. Durante os anos 1995 e 1996, com um grupo de colegas do PET-Capes no direito da USP (Universidade de São Paulo), lemos na íntegra sua Teoria da Ação Comunicativa. Tudo por obra do professor José Eduardo Faria, que coordenava o programa. Essas leituras mudariam a minha vida. Um dos nossos brilhantes colegas (Lins Ricon), indignado com os textos extensos e técnicos brincava: "Habermas com certeza não sabe andar de bicicleta".
Pode ser, mas ele soube como ninguém defender a ideia de modernidade ocidental justamente quando os ataques se intensificavam e as rachaduras mais sérias começavam a aparecer. Na minha visão, sua Teoria da Ação Comunicativa é um legado monumental, que nos ajudará a compreender o desafio da inteligência artificial (já volto a isso). Já nos seus textos políticos, Habermas acertou em muitos pontos, mas errou em vários outros. E só nos últimos anos começou a trabalhar a questão de como a tecnologia representava uma ameaça para o núcleo do seu pensamento sobre a democracia.
Para Habermas, a modernidade poderia se fundar sobre a linguagem: a capacidade humana de argumentar, aprender e mudar de ideia em face a argumentos racionais. Essa seria a ação comunicativa, que seria a base do que ele chamava de "mundo da vida", o lugar onde as conversas acontecem e onde valores, normas, gostos e verdades são compartilhados por todos intersubjetivamente. É o território da cultura, das pessoas e da sociedade.






