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Uma rápida observação da realidade desmonta a tese da extrema-direita de que fações criminosas como o PCC ou o Comando Vermelho se enquadram na categoria de “narcoterrorismo”. Nas prisões, no estado de São Paulo e nos demais territórios controlados pela organização, o PCC impõe um pax. Em grande medida, o mesmo vale para o CV.

Há quanto tempo não se ouve falar de rebeliões em presídios onde o PCC dá as cartas? O que dizer do funcionamento do “tribunal do crime”, cuja função é impor regras de comportamento, dentro e fora das cadeias, ao exército a serviço da organização? O motivo é simples: a “paz” favorece os negócios.

Por ser a corporação empresarial mais eficiente e bem-sucedida do Brasil, o Primeiro Comando sabe que o caos reduz os lucros e coloca em risco a “fábrica” de dinheiro. É absolutamente o contrário dos objetivos dos grupos terroristas, que exploram o pandemônio, o medo e a insegurança para propagar sua ideologia e ideais. A Al Qaeda explode restaurantes e estações de metrô de modo a espalhar o pânico. A morte é o fim em si, justificado pelos meios. O PCC explode o cofre de um banco em busca de notas, joias e ouro. Eventuais cadáveres são efeitos colaterais.

O argumento de que as facções são terroristas por atacar policiais também não resiste aos fatos. Organizações mafiosas, em nome da preservação do poder, são violentas por natureza, em qualquer parte do mundo. Eliminam a concorrência, riscam do mapa os traidores e extirpam agentes públicos – policiais, promotores, juízes, políticos – que não conseguem cooptar. Nas empresas tradicionais, essas decisões seriam chamadas de compliance, controle de qualidade e relações institucionais.