Se fosse uma empresa, o PCC teria 33 anos no mercado ilegal e estaria entre as 300 maiores companhias do país em faturamento. Em plena expansão, a facção que já enterrou os lucros do crime hoje se infiltrou na economia formal e opera da Faria Lima, o centro financeiro do país, para lavar dinheiro. O PCC 3.0 é tema do último episódio do podcast PCC: O Salve Geral, uma produção do jornal O GLOBO e da rádio CBN, que vai ao ar nesta quinta-feira (21). Sob o comando de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, a organização criminosa profissionalizou a estrutura e adotou uma lógica empresarial em que o lucro se sobrepõe ao terrorismo. A facção criou uma marca forte e chamou atenção dos criminosos europeus, hoje parceiros de negócios ilegais. Grupos mafiosos como o clã Šaric, da Sérvia, e a ‘Ndrangheta’, da Itália, compram cocaína pura produzida nos países andinos, como Peru, Bolívia e Colômbia, em consórcio com o PCC. Os grupos usam a estrutura e logística da facção nos portos brasileiros para exportar a droga e revender a consumidores europeus a preços inflacionados. — A globalização vem tanto para o lado bom quanto para o lado obscuro também, na parte da criminalidade. A gente pega notícias do PCC atuando com máfia italiana, principalmente, fazendo aquela divisão de tarefas para poder facilitar a atuação. Não quer dizer que eles deram a mão e saíram como um conjunto. É meramente comercial isso daí. Te garanto que a máfia italiana não vai querer perder poder para o PCC — afirma o delegado Rodrigo Perin Nardi, chefe da Polícia Federal em Santos. O PCC está presente atualmente em 28 países de quatro continentes, de acordo com o MP-SP. Tem mais de 40 mil membros, sendo cerca de 2 mil fora do país. Em torno de 80% da receita do grupo vem do tráfico internacional, o principal negócio da organização hoje. No Brasil, o PCC tem o controle territorial de parte dos estados, corrompe agentes públicos para garantir o funcionamento dos negócios e está infiltrado nos poderes do Estado, segundo o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), um dos principais inimigos da facção hoje. — Isso significa que a gente está diante de uma máfia. O que a gente percebe, de maneira muito clara, é que o que aconteceu na Itália está acontecendo no Brasil. O PCC tem todos os requisitos de uma máfia. Tem, por exemplo, uma lavagem de dinheiro estruturada, uma atuação transnacional, a corrupção de agentes públicos, a infiltração nos poderes do Estado na economia formal — disse. Salve em IA A Polícia Civil de São Paulo detectou recentemente um novo organograma da facção, com duas sintonias, ou departamentos, inéditas: de redes sociais e de compliance. Enquanto a primeira fica responsável pelo conteúdo que será veiculado nas redes, a segunda faz uma espécie de auditoria das publicações. — Recentemente, percebemos uma ação no sentido de internet, rede social e compliance, muito ligada uma à outra. De um lado, uma divulga conteúdos ideológicos da facção e controla grupos de WhatsApp para poder passar as mensagens entre os seus membros. Do outro, a de compliance é como se fosse o grupo que fiscaliza, que controla isso. É um tipo de moderador, para ver se não vai se expor demais, se não vai expor informações sensíveis da facção — explica o delegado Ronaldo Sayeg, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil de São Paulo. Em dezembro passado, circulou em aplicativos de mensagens um comunicado do PCC, o chamado salve, feito por IA. A mensagem animada, com narração sintética e música de fundo, era uma ordem do crime proibindo roubos e desrespeito aos moradores das “quebradas”. Recentemente, a ferramenta Mapa do Crime, do GLOBO, mostrou uma alta de roubos na periferia, em comparação ao Centro de São Paulo. Criação e expansão O PCC foi formado em 31 de agosto de 1993, na Casa de Custódia de Taubaté, conhecida como Piranhão, com o discurso de combater a opressão no sistema prisional e evitar novos massacres como o do Carandiru, ocorrido um ano antes. Teve entre os oito idealizadores Mizael Aparecido da Silva, criador do primeiro estatuto da organização; Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra, seu primeiro chefe; César Augusto Roriz da Silva, o Cesinha, cuja assinatura era a decapitação de rivais; e José Márcio Felício, o Geleião, inventor da sigla PCC. Marcola, que mais tarde tomaria o controle do grupo, não estava entre os fundadores. Se, antes, o mote do grupo era, supostamente, a ajuda aos presos e seus familiares, financiando advogados e viagens de ônibus para as visitas às cadeias no interior, não demorou para que o cenário mudasse. O foco no faturamento com atividades criminosas variadas coincide com a ascensão no início dos anos 2000 de Marcola, que apostou as fichas no que viria a se tornar a principal fonte de renda do bando: o tráfico de drogas. Nas últimas duas décadas, o PCC não apenas reforçou a hegemonia nos presídios paulistas, como também expandiu seus braços para todo o território nacional, controlando em múltiplos pontos a venda de entorpecentes. Mais recentemente, sua última e mais ambiciosa investida foi fincar raízes na Europa e estruturar o tráfico para fora do Brasil. O alcance internacional chamou a atenção do governo americano. Em 2021, o PCC foi incluído em uma lista de bloqueios da Agência de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês), instituição do Departamento de Tesouro dos Estados Unidos. A consolidação do PCC como uma máfia transnacional é resultado de uma sucessão de falhas e omissões do Estado brasileiro nas últimas três décadas, na opinião do promotor Gakiya. O principal erro foi a omissão governamental, que por anos negou a existência da facção. — O Estado, de fato, negligenciou no que tange ao reconhecimento do PCC como uma facção criminosa importante. Pelo menos na primeira década houve, e a imprensa noticiou isso bastante, alguns secretários que diziam que o PCC não existia, que era uma criação da imprensa. Outros importantes policiais, diretores de departamentos, em uma das operações que tinham acabado com o PCC, tinham quebrado todos os dentes do PCC, que não existiria mais — lembrou Gakiya. 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