PUBLICIDADE Investigações começaram em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista Deolane Bezerra chega à sede da Polícia Civil em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 22:16 Operação Vérnix: Deolane Bezerra e PCC em Esquema de Lavagem de R$ 20 Milhões A Operação Vérnix revelou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a influenciadora Deolane Bezerra e a família de Marcola, líder do PCC. A transportadora Lado a Lado foi usada para movimentar R$ 20 milhões em atividades ilícitas. Deolane teria recebido R$ 1 milhão em depósitos fracionados, ocultando recursos ilegais. Seis mandados de prisão foram expedidos, e bens foram bloqueados. A ação teve cooperação internacional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra ontem expôs, segundo o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil, uma sofisticada engrenagem de lavagem de dinheiro ligada ao núcleo familiar de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Batizada de Operação Vérnix, a ação revelou como uma transportadora do interior paulista teria sido usada para movimentar recursos do tráfico e inseri-los no sistema financeiro formal por meio de empresas, depósitos fracionados e contas de terceiros. A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva: contra Deolane; Marcola; o irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; além de Everton de Souza, apontado como operador financeiro do grupo. Marcola e Alejandro já estão presos em penitenciárias federais. Deolane e Everton foram detidos ontem, enquanto Paloma e Leonardo são considerados foragidos. Segundo as investigações, ela está na Espanha e ele, na Bolívia. Ambos tiveram os nomes incluídos na Lista de Difusão Vermelha da Interpol. As investigações começaram em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. O material continha ordens internas da facção, referências a movimentações financeiras e menções a ataques contra servidores públicos. A partir daí, os investigadores chegaram à empresa Lopes Lemos Transportes, conhecida como Lado a Lado Transportes. Segundo o Ministério Público, a transportadora funcionava como braço financeiro da cúpula do PCC. Em três anos, movimentou mais de R$ 20 milhões e apresentou incompatibilidade de R$ 6,9 milhões entre receitas declaradas e movimentações bancárias, indício considerado típico de lavagem de dinheiro. Mesmo presos no sistema penitenciário federal, Marcola e Alejandro continuariam controlando a estrutura financeira. A polícia afirma que Alejandro determinava a compra de caminhões, a divisão dos lucros e o fluxo do dinheiro. As ordens saíam dos presídios e eram executadas por operadores nas ruas e familiares do núcleo Camacho. Paloma, filha de Alejandro, é apontada como responsável por repassar ordens do pai após visitas ao presídio federal. Em mensagens interceptadas, ela orientava a distribuição dos recursos. Já Leonardo apareceria como beneficiário direto dos valores movimentados pelo esquema. A polícia identificou cerca de R$ 746 mil em movimentações nas contas dele, parte delas em depósitos em espécie sem origem identificada. Outro personagem central da investigação é Everton “Player”. Segundo investigadores, ele coordenava a distribuição do dinheiro e indicava as contas que receberiam os valores. Deolane recebia dinheiro do PCC via transportadora — Foto: Reprodução Conexão com Deolane A conexão com Deolane foi identificada em 2021, durante a Operação Lado a Lado. Na ocasião, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, sócio da transportadora e que seria o operador central do esquema. No aparelho foram encontrados comprovantes de depósitos destinados a contas ligadas à influenciadora e a Everton. Segundo o inquérito, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar o rastreamento financeiro. Além disso, cerca de 50 depósitos em empresas ligadas à influenciadora somaram aproximadamente R$ 716 mil. Os investigadores afirmam não ter encontrado contratos ou prestação de serviços advocatícios que justificassem os valores. Para a polícia, a projeção pública e a estrutura empresarial de Deolane funcionariam como “camadas de aparente legalidade” para ocultar recursos ilícitos. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens da influenciadora e mais de R$ 357 milhões em ativos ligados aos demais investigados. Conhecida nacionalmente desde a morte do então marido, o funkeiro MC Kevin, em 2021, Deolane acumula mais de 21 milhões de seguidores nas redes sociais e construiu uma imagem ligada à ostentação, apostas on-line e exibição de itens de luxo. Horas antes da prisão, apareceu nas redes com uma bolsa Chanel avaliada em mais de R$ 300 mil. Ao chegar presa à sede da Polícia Civil, usava um suéter da grife Polo Ralph Lauren vendido por cerca de R$ 5 mil. A operação também apreendeu carros de luxo e joias. Entre os veículos recolhidos estavam modelos das marcas Cadillac, Mercedes, Jeep e Range Rover. Um Cadillac Escalade apreendido pode custar até R$ 2 milhões no Brasil. Segundo o promotor Lincoln Gakiya, a ação contou com cooperação internacional entre autoridades brasileiras, italianas e espanholas para evitar vazamentos e impedir fugas. Deolane voltou ao Brasil um dia antes da operação, após passar semanas em Roma. A defesa da influenciadora não comentou as acusações.