De acordo com os investigadores, valores da facção eram depositados em contas ligadas à influenciadora e misturados a recursos de outras atividades antes de retornarem ao grupo criminoso, dificultando o rastreamento financeiro. Uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, no interior, era usada para movimentar os recursos ilícitos. "Entendemos ao longo da investigação que a Deolane, até pelo poder econômico que ela adquiriu ao longo do tempo e pela influência, ela funcione como uma espécie de caixa do crime organizado", afirmou o delegado Edmar Caparroz, do 2º distrito policial de Presidente Venceslau. A transportadora controlada pelo PCC tem sede próxima de um complexo penitenciário no município. Caixa com dinheiro apreendida pelos policiais com o nome de Deolane na casa do Everton de Souza, apontado como operador financeiro. — Foto: Reprodução A investigação identificou um fluxo complexo de movimentações financeiras envolvendo várias contas de Pessoa Física (PF) e Pessoa Jurídica (PJ) – apontado como a segunda etapa do esquema de lavagem de dinheiro, chamada de dissimulação, que tem como objetivo afastar os valores de sua origem ilícita, dificultando seu rastreamento. "O crime organizado deposita os valores nessa figura pública, esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades, e quando precisa esses recursos retornam para o crime organizado", acrescentou Caparroz. Deolane Bezerra é presa suspeita de lavar dinheiro para o PCC; família de Marcola também é alvo Procurado, o advogado de Deolane, Luiz Imparato, disse que está se "inteirando dos fatos". O advogado Bruno Ferullo, que defende Marcola, também afirmou que ainda vai se inteirar do caso. A defesa dos demais não foi localizada pela reportagem. Troca de bilhetes em presídio deu origem à investigação Em 2021, a Operação Lado a Lado apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. O conteúdo do aparelho revelou detalhes sobre o esquema de lavagem de dinheiro pela transportadora e revelou conexões financeiras com a influenciadora. Bilhetes de integrantes do PCC interceptados pela polícia penal no presídio de Presidente Venceslau, no interior de SP, deram origem à prisão de Deolane Bezerra. — Foto: Reprodução/TV Globo e Redes Sociais Segundo a polícia, imagens encontradas no aparelho mostram depósitos para contas de Deolane e de Everton de Souza, conhecido como "Player", apontado como operador financeiro da organização criminosa. "O vínculo dela com a transportadora foi o pontapé inicial para a investigação, mas com afastamento de sigilos bancário e fiscal, verificamos que ela mantém relação com outras vertentes do crime organizado", declarou o delegado Edmar Caparroz durante entrevist acoletiva. Deolane Bezerra como recebedora de dinheiro do PCC A investigação fez cruzamentos de provas apreendidas nos últimos anos com relatórios de movimentação em contas físicas e jurídicas em nome da influenciadora Deolane Bezerra para identificá-la como recebedora de dinheiro proveniente do PCC. Parte das movimentações ocorrem em depósitos em espécie, partindo do caixa do PCC por meio da transportadora de cargas, e ordenados pela cúpula da facção, segundo a investigação. LEIA TAMBÉM Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu em sua conta física R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, técnica conhecida como smurfing). Segundo a polícia, o intermediador era Everton de Souza, que indicava a conta de Deolane para “fechamentos” mensais. Outro fato que aparece na investigação são quase 50 depósitos feitos a duas empresas de Deolane Bezerra, no valor total de R$ 716 mil, por uma empresa que se apresenta como banco de crédito e que tem como responsável um homem moradora da Bahia que recebe em torno de um salário mínimo ao mês. Quem é Deolane, influencer e advogada presa por suspeita de elo com o PCC A análise das contas a débito, tanto de Deolane quanto da empresa dela, mostram que não foi identificado nenhum pagamento relacionado a esses tais créditos, o que é apontado pela investigação como um indício de ocultação e/ou dissimulação de recursos do PCC. Também não foram identificadas prestações de serviço como advogada que justificassem os valores repassados para as contas da influenciadora e de suas empresas. Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, mas ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20).
Deolane atuava como "caixa do crime organizado" em esquema do PCC | G1
Investigação aponta que influenciadora recebia valores do PCC em contas próprias, misturava recursos e devolvia quantias à facção para ocultar a origem do dinheiro ilícito.












