Com o caixa triplicado pela recuperação da taxa de fiscalização determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a Comissão de Valores Mobiliários não terá mais a desculpa de escassez de verbas para não defender os interesses dos acionistas minoritários. Os problemas da autarquia vão, no entanto, além disso. O maior desafio será recuperar a credibilidade, ameaçada pela crescente penetração dos interesses das grandes companhias que a CVM tem o dever de fiscalizar e dos escritórios de advocacia contratados por essas empresas, segundo integrantes do setor. Um desafio agigantado pela complexidade crescente do mercado de capitais em consequência de avanços tecnológicos e inovações financeiras introduzidas em alta velocidade.
A comissão completa 50 anos e passa a ser presidida por Otto Lobo, indicado para o cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que nega o apadrinhamento. Lobo está no centro da polêmica em torno do caso da Ambipar, multinacional brasileira especializada em gestão ambiental, apontado como exemplo de superposição de mistura indevida de interesses públicos e privados, julgado no ano passado. Lobo era diretor, mas exerceu a função de presidente interino.















