Com quase R$ 1 bilhão em mãos para reestruturar a Comissão de Valores Mobiliários, o futuro presidente da autarquia, o advogado Otto Lobo, terá um ano para mostrar que é capaz de caçar os "lobos de Wall Street" genéricos que proliferam em solo brasileiro, aproveitando o apagão que atingiu a supervisão do mercado de capitais nos últimos anos.

Sua nomeação para presidir o órgão que atua como "xerife" do mercado foi aprovada pelo Senado no dia 20, mais de cinco meses depois da indicação pelo presidente Lula.

Não bastasse a demora, ele cumprirá um mandato-tampão, devido à renúncia de seu antecessor, de forma que terá só até julho do ano que vem para provar que estavam errados os que o apontaram como interessado em salvar a pele dos envolvidos em esquemas que abalaram a economia nacional e a confiança dos investidores, como Banco Master, Reag e Ambipar.

Lobo teve sua atuação nos casos em questão questionada na sabatina do Senado e foi enfático ao lembrar que as decisões do órgão são colegiadas. No caso da Ambipar, no qual seu "voto de desempate" favoreceu a companhia, a atuação foi validada pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Já em relação a um processo envolvendo o Master, o que se sabe é que Lobo tirou o caso de pauta por mais de 160 dias, com um demoradíssimo pedido de vista.