Otto Lobo ainda aguarda nomeação para assumir cargo Brasão da CVM na sede da autarquia, no Rio — Foto: Divulgação / CVM RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 18:02 Otto Lobo, indicado por Lula à CVM, promete agilizar julgamentos Otto Lobo, indicado por Lula para presidir a CVM, promete acelerar julgamentos, incluindo casos do Banco Master. Apesar de aprovado pelo Senado, sua nomeação aguarda publicação no Diário Oficial. Lobo planeja mutirões para analisar processos, visando eficiência sem distinção entre acusados. A indicação de Lobo e Igor Muniz como diretor busca completar o colegiado da CVM, que enfrentou vacâncias. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A reunião convocada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, para enquadrar a direção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na terça-feira teve um alerta direto ao futuro presidente da autarquia, Otto Lobo, para que “redobre os cuidados” em suas ações para evitar críticas do mundo empresarial e do mercado financeiro. De acordo com relatos, Durigan cobriu seriedade do futuro presidente porque tem escutado muitas reclamações da atuação da CVM e que isso não pode acontecer. Afirmou também que eventuais denúncias serão apuradas com rigor. Ele teria se comprometido a seguir essas diretrizes. Procurado, Otto Lobo informou que não iria se manifestar porque ainda aguarda a oficialização de sua nomeação. Ao deixar a reunião na terça-feira, Lobo afirmou que a diretoria do órgão que regula o mercado de capitais deve acelerar o julgamento dos processos que aguardam análise, inclusive os que tratam sobre o conglomerado do Banco Master. Um estudo interno da autarquia apontou falhas na fiscalização de fundos de investimento — atribuição do órgão — expostas pelo escândalo do Banco Master, que envolveu a gestora Reag Investimentos. Na última semana, eclodiu uma guerra de bastidores entre a Fazenda e CVM. O diagnóstico no ministério é que a nova direção da autarquia quer atuar de forma autônoma, sem se submeter às diretrizes da pasta. Essa intenção teria ficado evidente com o anúncio feito na semana passada pelo presidente interino da autarquia, João Accioly, de que procuraria o Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar um plano de reestruturação da CVM apresentado pelo governo. O plano havia sido enviado pela Advocacia-Geral da União (AGU) à Corte na última quarta-feira após o ministro Flávio Dino determinar a elaboração de uma proposta emergencial para reestruturar a atividade fiscalizatória da CVM. Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma bronca, na abertura ministerial, e reclamou de “ministros que por conta própria” entram com ações no tribunais superiores sem consultar a AGU. Além da contestação ao plano de reestruturação, também houve divergência com a Fazenda por causa da decisão da autarquia de deixar de exigir a publicação de reportes de sustentabilidade das empresas. A publicação dessas informações era voluntária com a previsão de se tornar obrigatória em 2026. Na reunião de terça-feira, Durigan disse para Otto Lobo que a CVM não pode tomar decisões semelhantes a essa. A cúpula do Ministério da Fazenda se opunha à escolha de Otto Lobo para a presidência da CVM, mas perdeu a disputa interna no governo. As de Lobo e de Igor Muniz para uma diretoria da autarquia foram aprovadas pelo Senado no último dia 20. A escolha de Otto Lobo é atribuída no governo ao empresário Joesley Batista, da J&F, um dos controladores do Grupo J&F. O grupo nega. A indicação de Muniz teria vindo do Senado. Durante a sabatina no Senado, Lobo recebeu questionamentos dos senadores Eduardo Girão (Novo-CE), e Eduardo Braga (MDB-AM) sobre decisões do diretor que favoreceram o Banco Master em processos da CVM. Ele já era diretor da CVM e chegou a atuar como presidente interino no fim do ano passado, mas deixou a autarquia com o fim de seu mandato. O caso mais questionado foi em relação a uma decisão em processo da Ambipar quando Otto Lobo era presidente interino do colegiado. Na época, Lobo decidiu barrar uma oferta pública de aquisição da companhia ligada ao grupo Master, indo contra a análise da área técnica do órgão. Como presidente do colegiado, ele usou o voto de qualidade, que fez com que seu voto valesse por dois.