As empresas brasileiras já incorporaram a saúde mental ao discurso corporativo. O problema é que, na prática, a maioria ainda não está pronta para atender às exigências que tratam justamente desse tema. Levantamento do Pandapé, software de RH mais usado na América Latina, mostra que 58,2% das empresas afirmam agir por cultura organizacional ao lidar com saúde mental no trabalho, acima de fatores como pressão legal. Ao mesmo tempo, 65,28% dos profissionais de RH não acreditam que suas empresas estarão totalmente em conformidade com a NR-1 até o prazo previsto. A combinação dos dados mostra que as empresas reconhecem a importância do tema, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar essa agenda em prática estruturada. Para Ana Paula Prado, CEO da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, a saúde mental passou a ocupar um espaço estratégico dentro das organizações, especialmente após a atualização da NR-1. "A saúde mental deixou de ser uma pauta paralela dentro das empresas. Hoje, ela influencia diretamente a capacidade de inovação, retenção e sustentabilidade dos negócios. O que vemos agora é uma transição importante: as organizações já reconhecem o tema como estratégico, mas ainda estão aprendendo a transformar essa consciência em modelo de gestão", afirma. Segundo a executiva, o avanço do tema dentro das empresas aconteceu de forma acelerada nos últimos anos, mas a consolidação dessa agenda ainda depende de estrutura, método e acompanhamento contínuo. "Toda mudança cultural começa pelo reconhecimento, mas ela só ganha consistência quando se transforma em processo, indicador e tomada de decisão. Muitas empresas já entenderam a relevância do tema, mas ainda estão construindo a estrutura necessária para sustentar essa agenda no longo prazo", comenta Ana Paula Prado. Os dados do levantamento reforçam esse cenário. Apenas 27,33% das empresas afirmam estar totalmente adequadas às exigências da norma, enquanto quase metade ainda opera de forma parcial. Além disso, o mapeamento de riscos psicossociais, uma das principais exigências da NR-1, ainda não é realizado de forma completa na maior parte das organizações. O cenário mostra que a agenda avançou no nível estratégico, mas ainda encontra desafios na execução operacional do dia a dia. Para Ana Paula, essa lacuna tem impacto direto na competitividade das empresas. "Empresas emocionalmente saudáveis tendem a operar com mais clareza, colaboração e capacidade de adaptação. Quando a saúde mental não é gerida de forma estruturada, o impacto aparece em produtividade, engajamento, retenção e até na velocidade de execução do negócio", explica. A proximidade do prazo de adequação da NR-1 também acelera a necessidade de amadurecimento das empresas em relação ao tema. "Os próximos anos devem consolidar uma mudança importante na forma como as empresas entendem gestão. Saúde mental deixa de ser apenas uma pauta de cuidado e passa a fazer parte da inteligência operacional das organizações. As empresas que conseguirem transformar intenção em estrutura terão mais capacidade de crescer de forma sustentável", finaliza Ana Paula Prado.
Maioria das empresas não conseguirá cumprir exigências da NR-1 a tempo, aponta pesquisa
Empresas já tratam saúde mental como prioridade cultural, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar a agenda em prática estruturada
















