Mais de 40% dos líderes brasileiros não têm ferramentas para lidar com riscos psicossociais nas equipes, segundo levantamentos de mercado. O dado ganha peso diante de outro número: o Brasil fechou 2025 com mais de 546 mil afastamentos motivados por transtornos mentais e comportamentais, o maior registro da década.

Os dois números, juntos, expõem uma distância entre o discurso corporativo sobre bem-estar e a capacidade real dos gestores de perceber sinais de sofrimento emocional antes que eles se tornem incapacidade para o trabalho.

Paralelamente, a Norma Regulamentadora nº 1 passou a exigir a inclusão de riscos psicossociais nos Programas de Gerenciamento de Riscos. Ainda assim, quase 70% das empresas dizem não entender por completo as mudanças trazidas pela norma, o que abre espaço para falhas na forma como tratam a saúde dos funcionários.

Despreparo na linha de frente

Embora termos como segurança psicológica tenham se popularizado nas empresas, muitos gestores chegaram aos cargos por competências técnicas e não recebem suporte para reconhecer sinais de exaustão ou ansiedade. Sem ferramentas de avaliação estruturada, o gestor tende a interpretar queda de produtividade como falta de comprometimento e responde com cobrança em vez de escuta.