A saúde mental passou a ocupar espaço estratégico dentro das empresas brasileiras e começa a mudar a forma como as organizações enxergam sua responsabilidade sobre o ambiente de trabalho. Ainda assim, a transformação da agenda em práticas consistentes de gestão segue em ritmos diferentes entre as empresas. Pesquisa do Pandapé, software de RH mais usado na América Latina, realizada com 311 profissionais da área, mostra que 86% das lideranças já consideram a saúde mental uma prioridade dentro das organizações. O dado sinaliza uma mudança importante na forma como as empresas tratam o tema. Ao mesmo tempo, a implementação prática ainda encontra desafios relevantes. Hoje, 64% das empresas já reconhecem o burnout e riscos psicossociais como uma questão organizacional ou compartilhada com o colaborador. Ainda assim, uma parcela relevante das organizações ainda não trata o tema de forma estruturada ou continua atribuindo o problema exclusivamente ao indivíduo. Para Patricia Suzuki, Diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, a principal mudança está na forma como as empresas começam a compreender o impacto do ambiente de trabalho sobre a saúde mental. "A mudança mais importante é que as empresas começam a assumir que o ambiente de trabalho influencia diretamente a saúde mental. Isso altera a forma como liderança, desempenho e responsabilidade organizacional passam a ser entendidos dentro das empresas", afirma. Outro dado que reforça essa transformação é a motivação das empresas para agir. Para 58,2% das organizações, o principal fator que impulsiona iniciativas ligadas à saúde mental é a cultura organizacional, acima de fatores como pressão legal ou reputação. O cenário indica que a agenda começa a ser incorporada de forma mais estratégica dentro das empresas e deixa de aparecer apenas como resposta a exigências externas. O desafio está na execução. Apenas 40,51% das empresas afirmam mapear riscos psicossociais de forma estruturada. Um percentual semelhante ainda faz isso de forma parcial, o que indica que a maioria das organizações não têm um processo robusto para lidar com o tema. As iniciativas existentes também revelam um estágio intermediário de maturidade. Programas de bem estar, treinamentos de liderança e canais de denúncia estão entre as ações mais comuns. Ainda assim, 21,86% das empresas dizem não ter implementado nenhuma medida concreta nessa frente. Para Suzuki, isso mostra que muitas empresas avançaram no reconhecimento do problema, mas ainda enfrentam dificuldade para transformar o tema em prática contínua de gestão. "As empresas já entenderam que saúde mental impacta diretamente produtividade, retenção e desempenho. O desafio agora é estruturar essa agenda de forma contínua, conectando liderança, operação e tomada de decisão no dia a dia", comenta. Segundo a executiva, a mudança na relação entre empresa e colaborador tende a se aprofundar nos próximos anos. "Durante muito tempo, a lógica corporativa concentrou a responsabilidade no desempenho individual. Agora, as empresas começam a reconhecer que o contexto de trabalho também influencia diretamente na saúde mental, engajamento e capacidade de entrega das equipes", explica Patricia Suzuki. O levantamento indica que a transformação já começou, mas ainda não se traduziu em práticas consistentes na maior parte das organizações. "As empresas já avançaram na consciência sobre o tema.A próxima onda será a capacidade de transformar essa agenda em gestão contínua, com método, indicadores e impacto operacional", finaliza a executiva.
Empresas mudam discurso sobre saúde mental, mas ainda falham na prática
Levantamento do Pandapé mostra mudança na relação entre empresas e colaboradores, mas práticas ainda avançam de forma desigual












