A poucos dias da entrada em vigor das novas exigências da NR-1 relacionadas à gestão de riscos psicossociais no trabalho, empresas brasileiras ainda enfrentam dificuldades para se adaptar à norma. Levantamento realizado pelo Pandapé mostra que apenas 27,33% afirmam estar totalmente preparadas para atender às exigências. Os dados revelam um cenário que vai além da área de recursos humanos. Sem estrutura para mapear e gerenciar riscos psicossociais de forma contínua, empresas passam a ampliar sua exposição a afastamentos, queda de produtividade, passivos trabalhistas e danos reputacionais. Além das empresas que afirmam estar totalmente adequadas, quase metade ainda opera de forma parcial, enquanto uma parcela sequer iniciou o processo de adaptação à norma. Entre os principais desafios apontados pelos profissionais de RH estão a falta de conhecimento técnico e a ausência de metodologia para implementar as exigências da NR-1 na prática. Os fatores aparecem à frente de questões como orçamento ou tecnologia, indicando que o problema não está apenas em investimento, mas na maturidade das estruturas internas para lidar com o tema. Para Hosana Azevedo, Gerente Sênior de RH na Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, a atualização da NR-1 amplia o nível de responsabilidade das empresas sobre saúde mental e organização do trabalho. "As empresas já entenderam que a saúde mental impacta diretamente os resultados. O problema é que muitas ainda não sabem como transformar isso em processo, acompanhamento e ação no dia a dia", afirma. Apesar das dificuldades de execução, o tema já ganhou espaço na agenda corporativa. Segundo o levantamento, mais de 86% das lideranças reconhecem a relevância da saúde mental no ambiente de trabalho. Ainda assim, menos da metade das empresas realiza o mapeamento estruturado de riscos psicossociais, o que limita a capacidade de prevenção e acompanhamento contínuo desses fatores dentro das organizações. "Quando a empresa não consegue identificar e acompanhar os riscos psicossociais, ela perde visibilidade sobre problemas que impactam afastamentos, produtividade, engajamento e até ações trabalhistas", diz Hosana. Na avaliação da executiva, a entrada em vigor da norma marca uma mudança importante na forma como as empresas precisarão lidar com saúde mental e gestão de pessoas nos próximos anos. "Não se trata apenas de cumprir uma norma. A gestão dos riscos psicossociais precisa fazer parte da governança das empresas. Quem ainda trata esse tema em segundo plano pode enfrentar impactos muito maiores no médio e longo prazo", conclui. O avanço regulatório expõe um ponto sensível do mercado brasileiro: a maturidade das estruturas de RH ainda não acompanha, na mesma velocidade, a complexidade das demandas relacionadas à saúde mental no trabalho. Nesse contexto, o despreparo deixa de ser apenas uma limitação operacional e passa a representar um risco estratégico para o negócio.