A atualização da NR-1 colocou pequenas e médias empresas diante de um desafio adicional na gestão de pessoas: estruturar o mapeamento de riscos psicossociais mesmo sem equipes especializadas, processos maduros ou áreas de RH consolidadas. Pesquisa do Pandapé, software de recrutamento e seleção mais usado na América Latina, mostra que mais da metade das empresas ouvidas têm até 200 funcionários, incluindo microempresas com até 50 colaboradores (30,87%) e organizações entre 51 e 200 pessoas (22,19%). Esse perfil indica que grande parte das empresas impactadas pela norma opera com estruturas enxutas, o que influencia diretamente a forma como novas exigências regulatórias são incorporadas à rotina de gestão. O levantamento aponta que apenas 27,33% das empresas afirmam estar totalmente adequadas às exigências da NR-1, enquanto 49,84% estão parcialmente adaptadas e 17,04% ainda não iniciaram o processo. O cenário mostra que boa parte das pequenas e médias empresas ainda tentam transformar a exigência regulatória em rotina operacional. Além disso, o mapeamento de riscos psicossociais, um dos pilares da norma, ainda não está consolidado. Apenas 40,51% das empresas afirmam realizar o processo de forma estruturada, enquanto 40,84% fazem parcialmente e 18,65% não realizam nenhum tipo de mapeamento. Para Patricia Suzuki, Diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, muitas empresas menores ainda enfrentam dificuldade em transformar a exigência da NR-1 em prática contínua de gestão. "Muitas empresas não contam com uma área de Recursos Humanos estruturado ou especialistas dedicados. Isso faz com que a NR-1 pareça mais complexa do que ela realmente é, porque falta método para transformar a exigência em rotina", afirma. Segundo a executiva, um dos principais desafios está na forma como o tema é interpretado dentro das organizações. "A NR-1 exige gestão contínua, acompanhamento e tomada de decisão. Quando isso não acontece, o processo perde consistência e deixa de gerar impacto real no dia a dia", comenta. Apesar das dificuldades, o cenário também abre espaço para novas soluções e modelos de apoio. A necessidade de estruturar processos, organizar dados e acompanhar indicadores amplia a demanda por ferramentas, consultorias e tecnologias voltadas à gestão de pessoas. Outro ponto relevante é que a agenda de saúde mental não avança apenas por obrigação regulatória. A pesquisa mostra que 58,2% das empresas afirmam agir por cultura organizacional ao tratar saúde mental, acima de fatores como pressão regulatória. Para Patricia Suzuki, isso indica que há um movimento gradual de amadurecimento, inclusive entre empresas menores. "As pequenas e médias empresas têm uma vantagem importante, que é a capacidade de adaptação mais rápida. Quando conseguem estruturar o básico, elas avançam com mais agilidade do que grandes organizações", explica. Ainda assim, o tempo é um fator crítico. A proximidade do prazo de adequação pressiona empresas que ainda não estruturaram seus processos. "O processo não requer solução sofisticada. Entender os principais riscos, organizar dados e criar uma rotina de acompanhamento, com método, já eleva o nível de maturidade da gestão", afirma Patricia. O cenário indica que, para pequenas e médias empresas, a NR-1 funciona como um acelerador de profissionalização da gestão de pessoas, ao mesmo tempo em que expõe lacunas estruturais que ainda precisam ser endereçadas.