Pesquisa aponta que redução da jornada de 44 para 40 horas exigiria reposição de 5,1 milhões de trabalhadores e ampliaria gargalo no Sul e no Centro-Oeste Redução da jornada de 44 para 40 horas exigiria reposição de 5,1 milhões de trabalhadores e ampliaria gargalo no Sul e no Centro-Oeste — Foto: Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/05/2026 - 23:31 Redução da Jornada de Trabalho Pode Aumentar Escassez de Mão de Obra no Brasil, Aponta Estudo A proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais no Brasil pode agravar a escassez de mão de obra em regiões produtivas como Sul e Centro-Oeste, segundo estudo de José Ronaldo de Souza, do Ibmec. A mudança exigiria a contratação de 5,1 milhões de trabalhadores, enquanto o estoque de desocupados é de 6,3 milhões. O estudo sugere que melhorias na produtividade sejam priorizadas antes da mudança. A redução da jornada sem corte salarial pode elevar o custo por hora em até 22% em setores como transporte e alimentação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A discussão sobre a redução da jornada semanal de trabalho, de 44 para 40 horas, pega o Brasil em um momento de pleno emprego, o que pode pressionar as contratações nas regiões mais produtivas do país: Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Nessas localidades o estoque de desocupados não consegue suprir a necessidade de reposição extensiva de mão de obra que a proposta vai gerar, caso seja aprovada pelo Congresso Nacional, no contexto atual de taxas de desemprego na mínima histórica. Os efeitos da mudança são apontados pelo professor do Ibmec e CEO da Quantivis Analytics, José Ronaldo de Souza, que fez uma radiografia regional das consequências da medida. Segundo ele, o principal efeito não é o corte de horas em si, mas a heterogeneidade regional do mercado formal de trabalho. O estudo mostra que o corte na jornada vai resultar na necessidade de contratação de 5,1 milhões de trabalhadores de postos equivalentes a 40 horas contra um estoque de 6,3 milhões de desocupados, ou seja, uma proporção alta do estoque. No entanto, quando se analisa o mapa do trabalho por divisões geográficas, 35,6% dos estratos, sobretudo nas regiões Sul e Centro-Oeste, teriam demanda superior ao estoque. — A reposição extensiva é mecanicamente inviável apenas com a mão de obra desempregada local — afirmou Souza. O estudo considerou um universo de 28,9 milhões de trabalhadores formais com jornada semanal acima de 40 horas no principal vínculo. Considerando que esses trabalhadores equivalem a 28,3% dos ocupados e 45,5% dos formais, a jornada média desse grupo é de 47,1 horas por semana. Também tem como premissa que a produtividade horária do trabalho se mantém constante, de modo que cada hora perdida precisa ser reposta. — O ideal seria tentar primeiro medidas que induzam uma melhora de produtividade e, em um segundo momento, quando houver folga no mercado de trabalho e menor taxa de juros, flexibilizar a jornada de forma paulatina — disse Souza. Para analisar os efeitos em todo o país, o levantamento traça um mapa com 146 áreas para mostrar onde estão os trabalhadores com carga acima de 40 horas semanais e, portanto, as áreas que serão mais pressionadas. Entre elas, o eixo Sinop/Sorriso/Rondonópolis (MT) e os estratos norte e leste do estado, considerados economias agroindustriais. Outra área fica no estado de Santa Catarina, como Vale do Itajaí e localidades do cinturão suíno do Rio Grande do Sul e da produção de calçados. Região Metropolitana de BH Também se destacam o entorno metropolitano de Belo Horizonte, o triângulo mineiro e o sul de Minas Gerais, onde a base industrial, a mineração, o agro e os serviços são avançados. O levantamento aponta também que a redução da jornada sem corte de salário vai gerar aumento médio do custo por hora formal de trabalho de 17,75%, podendo chegar a 22% nos segmentos de alojamento, alimentação, transporte, armazenagem e correio. Corte de jornada pode atrair mão de obra, diz pesquisadora Por outro lado, a economista Carla Beni Menezes de Aguiar, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), vê a redução da jornada semanal como uma forma de as empresas atraírem trabalhadores que estão fora do mercado no formato atual e poderiam ficar atraídas por vagas com duas folgas semanais garantidas, por exemplo. Ela aponta empresas de setores intensivos em mão de obras, como o comércio e os serviços, que evidenciaram isso ao adotar voluntariamente a escala 5x2, elevando a atração de talentos e reduzindo a rotatividade nas posições. — Eu diria que essa aprovação está atrasada porque temos vários exemplos, até redes de varejo, de supermercados com mais de 8 mil funcionários, que usam a escala 5x2, e eles estão com ganho de produtividade. As empresas que já fizeram estão contratando com maior produtividade e, mais importante, com menor rotatividade no emprego.
Fim da escala 6x1 pode ampliar escassez de mão de obra em regiões mais produtivas do país, diz estudo
Pesquisa aponta que redução da jornada de 44 para 40 horas exigiria reposição de 5,1 milhões de trabalhadores e ampliaria gargalo no Sul e no Centro-Oeste













