Deputado Leo Prates (Republicanos-BA) ainda irá decidir se tema entrará no texto, que será apresentado na segunda-feira Redução da jornada de 44 para 40 horas está em discussão no Congresso — Foto: Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/05/2026 - 23:31 Redução da Jornada de Trabalho Pode Aumentar Escassez de Mão de Obra no Brasil, Aponta Estudo A proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais no Brasil pode agravar a escassez de mão de obra em regiões produtivas como Sul e Centro-Oeste, segundo estudo de José Ronaldo de Souza, do Ibmec. A mudança exigiria a contratação de 5,1 milhões de trabalhadores, enquanto o estoque de desocupados é de 6,3 milhões. O estudo sugere que melhorias na produtividade sejam priorizadas antes da mudança. A redução da jornada sem corte salarial pode elevar o custo por hora em até 22% em setores como transporte e alimentação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O relator da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que trata do fim da escala 6x1, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), defendeu, nesta quarta-feira, que trabalhadores com salário acima de R$ 16 mil não tenham limite de jornada. Atualmente, a carga horária máxima semanal é de 44 horas e, pela proposta, cai para 40 horas. Ou seja, esses trabalhadores poderiam ter uma carga horária superior. —A ideia é criar um mecanismo para tentar trazer para dentro da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) quem ganha acima de R$ 16 mil — disse o relator, acrescentando que o objetivo é reduzir a pejotização, trabalhador contratado como pessoa jurídica. Segundo ele, esses trabalhadores teriam como vantagens os mesmos direitos dos trabalhadores contratados com carteira assinada, como FGTS, 13º salário e cobertura previdenciária. Para o relator, o Estado deve se preocupar com os trabalhadores que ganham menos ao estabelecer o limite da nova jornada. — O Estado tem que estar mais presente nas relações mais assimétricas, como quem está na escala 6x1 hoje. (É quem) ganha muito pouco e é pobre, a maioria é mulher. (O Estado) tem que estar menos presente quando as relações são menos assimétricas — afirmou o relator. Para o parlamentar, nas relações mais simétricas, estão trabalhadores que ganham acima de R$ 16 mil, valor correspondente a duas vezes o teto do INSS. Esse universo representa 2,5% da massa de trabalhadores no Brasil, destacou, enquanto que a média salarial é de R$ 3.720. — A gente está falando da elite do trabalho — disse o relator, ao justificar que esse grup deve ficar de fora do limite de jornada, com regra específica. A exceção seria os funcionários públicos. Prates afirmou que ainda não há definição se a medida vai entrar no relatório. O texto deverá ser apresentado na próxima segunda-feira. Ele explicou que o relatório vai trazer parâmetros a serem incluídos na Constituição e não vai entrar em detalhes: — A Constituição é para tratar dos tetos e dos pisos. Eu não vou entrar no regramento específico. Estou deixando isso bem claro para não haver decepção. Quais são o que eu considero fundamental, que é o principal? 40 horas, dois dias de folga, sem redução salarial e o fortalecimento da convenção coletiva — disse o relator. Segundo relatos de governistas, essa possibilidade conta com apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Pessoas que acompanham as negociações em torno do texto dizem que o governo recebeu com estranheza essa possibilidade. Eles afirmam que a primeira vez que isso foi levado ao governo foi em reunião nesta terça-feira entre o relator, Motta, parlamentares governistas e os ministros José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho).