Alvo de críticas do setor bancário e do Banco Central (BC), o projeto de lei que obriga o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a cobrir rombos que os sistemas de previdência de Estados e municípios tiveram com o caso Master não deve avançar no Senado. A avaliação é de aliados do próprio autor do texto, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que também é presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Apresentado na semana passada, o projeto obriga o FGC a cobrir os rombos que os entes subnacionais tiveram ao aportar recursos de seus fundos de previdência no Banco Master. A proposta, no entanto, gerou reações negativas do mercado e também do presidente do BC, Gabriel Galípolo. Na manhã desta terça-feira (26), o próprio senador admitiu ter recebido uma ligação do presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, com críticas à matéria. Interlocutores de Renan afirmam que o objetivo do senador ao apresentar a proposta foi apenas fazer o BC se "movimentar" para buscar uma maneira de fiscalizar melhor o sistema financeiro. A fiscalização dos fundos de previdência de Estados e municípios não é, no entanto, responsabilidade da autoridade monetária. Outro motivo para a apresentação foi o cenário eleitoral de Alagoas, segundo fontes próximas a Renan. A prefeitura de Maceió investiu R$ 117 milhões do fundo de previdência municipal em letras financeiras do Banco Master. Renan aponta o ex-prefeito da capital, João Henrique Caldas (PSDB), conhecido como JHC, como o responsável pela aprovação desse aporte. JHC deve concorrer ao governo do Estado contra o filho do senador alagoano, o também senador e ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB). Na ocasião, a prefeitura de Maceió negou irregularidades nos aportes. Senador Renan Calheiros (MDB-AL) — Foto: Pedro França/Agência Senado