A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta terça-feira (26) que espera que seja homologado ainda hoje um acordo com a União para capitalização do Banco de Brasília (BRB), que enfrenta uma crise de liquidez após a compra de carteiras fraudulentas do Banco Master. O acordo está sendo negociado dentro de uma ação em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). O relator é o ministro Luiz Fux. "Eu vou para a reunião com bastante expectativa, eu acho que é a oportunidade de uma conciliação onde o povo do Distrito Federal está acima de qualquer outra coisa. Se isso for homologado hoje, se for assinado hoje, o BRB já vira essa página, porque a parte de liquidez foi resolvida", afirmou Celina a jornalistas, após cumprir uma agenda em Brasília. Atualmente, a nota de capacidade de pagamento (Capag) do Distrito Federal é “C”, de uma escala que vai de A a D, insuficiente para tomar empréstimo com garantia da União, que tem juros menores e condições melhores para pagamento. Os critérios constam em portaria do Tesouro Nacional e, até o momento, não houve anuência do governo federal para abrir uma exceção ao DF. Celina afirmou que o DF não consegue cumprir as exigências do Tesouro Nacional momentaneamente, mas disse que será possível recuperar a capacidade de pagamento em poucos meses. "A questão do aval seria obrigatória se a gente não tivesse uma nota de classificação menor. Nós estamos recuperando isso, temos um planejamento muito forte de contenção de gastos, ou seja, a gente acredita que até o mês de setembro, a gente vai conseguir recuperar o Capag A. Então, o motivo do não aval, por conta do Capag, é algo momentâneo", afirmou a governadora. Ainda de acordo com Celina, 70% do plano de recuperação de recursos do BRB já teria sido resolvido por outros caminhos, faltando apenas o aval da União ao empréstimo para "virar essa página". "Se isso for resolvido hoje à tarde, eu tenho certeza que a população ficará tranquila, porque é a recuperação total do Banco do Distrito Federal", disse. O aval da União ao empréstimo de até R$ 6,6 bilhões foi solicitado pela governadora Celina Leão no dia 28 de abril, devido à dificuldade que o Distrito Federal está tendo de conseguir esse financiamento junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a um pool de bancos. A dificuldade existe pela ausência de uma garantia robusta. Caso o governo federal seja avalista da operação, o empréstimo poderá ser destravado. Contudo, em caso de calote do BRB e do GDF, o rombo seria pago pelo governo federal. O governo federal sugeriu que seja usado como garantia no empréstimo as receitas do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), mas essa opção teve resistência de Celina, pois o FCDF financia as forças de segurança pública do DF. Ontem, o GDF recebeu cerca de R$ 1 bilhão em uma operação de securitização da dívida ativa para recompor o caixa do BRB. O governo distrital também estuda formas de receber cerca de R$ 9 bilhões das carteiras de crédito do Credcesta adquiridas do Master como garantia do empréstimo. Atualmente, esse valor está em posse do liquidante do Master. A governadora do DF, Celina Leão — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo