Nosso país dá aulas para o mundo sobre como abrir mão do desenvolvimento. O caso dos minerais críticos é um exemplo. Em 1940, chegou ao Brasil o russo Boris Davidovitch. Seu objetivo era explorar monazita nas areias de Guarapari (ES). Em um ano ele dominaria completamente esse mercado de forma predatória, deixando um rastro de destruição.

Davidovitch destruiu cerca de 70 km de praias, incluindo restingas. Montou uma operação de evasão fiscal em que vendia para si mesmo, jogando o preço e os impostos para valores irrisórios. Foi acusado de subornar juízes e desembargadores, de usar trabalho escravo e de continuar exportando clandestinamente mesmo quando suas atividades foram proibidas.

Em 1954 o prefeito de Guarapari lhe deu uma bofetada na cara. Seu sucessor declarou: "Nasci e me criei aqui. Nunca vi esse homem fazer qualquer coisa em benefício dessa terra". Em 1956, foi aberta uma CPI onde ele foi intimado a depor.

Tudo isso não serviu para nada. A predação ao Brasil lhe rendeu US$ 227 bilhões. Ele morreu bilionário em Paris em 1960. Após sua morte, seus funcionários enterraram o maquinário da empresa na areia e queimaram todos os documentos.

O que sobrou de monazita extraída em Guarapari foi levada para o bairro do Brooklin em São Paulo, processada pela Orquima e, depois de 1966, pela estatal Nuclemon. Depois da vergonha da monazita, o Brasil finalmente conseguiu dominar boa parte da cadeia de separação das terras raras. Era uma capacidade estratégica rara no mundo naquele momento. Essa capacidade foi desmantelada a partir de 1990 e o que sobrou para o país foram 11 toneladas de resíduo radioativo, apelidado de "Torta 2". Essa "torta" foi enviada para Caldas (MG). E lá se encontra até hoje.