O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o Brasil não pretende repetir, na exploração de terras raras, o modelo adotado historicamente com o minério de ferro, baseado na extração e exportação de matéria-prima sem agregação de valor no país. Segundo ele, o governo está aberto a negociar com qualquer parceiro internacional, desde que haja disposição de industrializar no Brasil. “Não vamos fazer o que fizemos com minério de ferro, de ir cavucando e vendendo”, disse Lula. “Quem estiver disposto a fazer o processo de industrialização aqui no Brasil, estamos dispostos a conversar com todo mundo”, afirmou em entrevista ao programa Sem Censura, da EBC. O presidente afirmou que há interesse de diferentes países nas reservas brasileiras. “Europa quer, EUA quer, todo mundo quer”, disse. Lula defendeu, porém, que o país tenha cautela para evitar que a exploração dos minerais estratégicos seja conduzida apenas por interesses privados de curto prazo. Segundo ele, é preciso criar um fundo ligado ao tema, porque se trata de uma riqueza nacional. “Isso é propriedade do povo”, afirmou. Ao ser questionado se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria entendido essa posição, Lula respondeu: “Se não entendeu, vai entender.” Em seguida, disse que tem conversado com frequência com o americano. “Tenho falado muito com ele, até por telefone”, afirmou. Na entrevista, Lula também tratou da relação política com Trump e disse que o presidente americano o trata “com muito respeito”. Segundo o brasileiro, os dois mantêm uma disputa de narrativa, não uma relação de hostilidade pessoal. “Eu disse pra ele que minha guerra com ele é narrativa”, afirmou. Lula fez críticas à forma como, em sua avaliação, os Estados Unidos enxergam outros países e regiões. Segundo ele, os americanos têm o hábito de transformar adversários em inimigos e de associar a América Latina ao tráfico de drogas. “A cara da América Latina para eles é droga e tráfico”, disse. Para o presidente, os EUA deveriam se preocupar também com os consumidores de drogas e adotar uma política compartilhada sobre o tema. O presidente também relatou preocupação em um encontro com Trump na Malásia, quando o americano chamou a imprensa antes da conversa reservada entre os dois. Lula disse ter receado que Trump repetisse com ele o tipo de exposição pública que, segundo afirmou, havia feito com os presidentes da Ucrânia e da África do Sul. Lula disse ainda ter conversado com o americano sobre a expressão carrancuda do americano. Segundo ele, ao perguntar o motivo da feição fechada, ouviu de Trump que “o eleitor gosta”. Lula afirmou ter respondido que isso poderia funcionar durante a eleição, mas não necessariamente depois dela. “Dê um sorriso”, disse ter afirmado. Ao falar da posição internacional do país, Lula afirmou que o Brasil atravessa um momento de alta respeitabilidade externa. “Hoje o Brasil vive o melhor momento de respeitabilidade que já teve em qualquer esfera do mundo”, declarou. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Lula diz que governo não vai repetir com terras raras o erro cometido com minério
Presidente afirmou que não aceitará repetir o modelo baseado na extração e exportação de matéria-prima sem agregação de valor no país











