A recente aprovação do Projeto de Lei dos Minerais Críticos na Câmara dos Deputados marca um momento decisivo na inserção do Brasil na nova geopolítica global da transição energética. O capitalismo contemporâneo atravessa uma profunda crise ecológica e climática, mas procura enfrentá-la sem romper com a lógica econômica que produziu o desastre ambiental. Em vez de questionar o produtivismo, o consumo ilimitado e a mercantilização da natureza, as grandes potências econômicas reorganizam sua base material através de uma nova corrida global por minerais estratégicos: lítio, cobre, níquel, grafite, cobalto e terras raras, indispensáveis para carros elétricos, baterias, turbinas eólicas, inteligência artificial e sistemas tecnológicos avançados.
Neste cenário, o Brasil reaparece como território estratégico. Detentor de enormes reservas minerais e de uma das maiores biodiversidades do planeta, o país torna-se peça-chave na disputa econômica entre China, Estados Unidos e União Europeia. O projeto, que agora segue para o Senado Federal, representa justamente a tentativa de adaptar o território brasileiro às exigências dessa nova economia verde global. Sob o discurso da modernização, da segurança energética e da competitividade internacional, o Estado brasileiro acelera licenciamentos, flexibiliza regulações e amplia incentivos para a mineração em larga escala.














