Brasil pode ter um papel na disputa por minerais críticos, diz diretor da EurásiaChristopher Garman analisa a rivalidade entre Estados Unidos e China e a disputa por terras raras. Crédito: Daniel GatenoGerando resumoRIO - Com o movimento de consolidação no setor de mineração, altamente influenciado pela geopolítica global, o Brasil tem se posicionado de forma positiva como uma jurisdição que não está 100% alinhada a nenhum polo, nem Washington nem Pequim, analisa o sócio-diretor da consultoria A&M Infra, Rafael Marchi.Em países relevantes na mineração, como Canadá, Austrália e EUA, o tempo de desenvolvimento dos projetos está aumentando, o licenciamento está mais difícil e a pressão social se intensifica. Assim, há maior dificuldade para tirar os projetos do papel, comenta o consultor. “Há uma corrida global por minerais críticos, e o tempo de desenvolvimento dos projetos está aumentando num cenário de oposição à mineração.”Leia tambémCorrida por minerais críticos impulsiona onda global de fusões e coloca Brasil no radar“Por isso, países onde a jurisdição funciona bem, como o Brasil, se tornam mais atrativos. Aqui, apesar dos problemas, os processos fluem, o que torna o País mais atraente como destino de investimentos. O Brasil tem se posicionado bem no xadrez global de suprimentos”, diz Marchi.Leia tambémMinerais críticos tornam o Brasil peça-chave no embate entre EUA e China, diz Thiago de AragãoPolítica Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos tem o desafio de estimular a pesquisaPUBLICIDADENa construção da parte regulatória, o Brasil está dando um passo esperado com a tramitação do Projeto de Lei (PL) 2780/2024, que cria o marco regulatório dos minerais críticos. O texto foi aprovado na Câmara, em maio, e seguiu para o Senado.O PL cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, traz definições para esses elementos e propõe incentivos a financiamento e industrialização. O projeto chegou a inspirar preocupação ao exigir anuência prévia do governo para operações de M&A envolvendo empresas consideradas estratégicas, mas o item foi reformado. O texto aprovado na Câmara propõe análise posterior às operações. A expectativa do mercado é que a nova legislação acelere investimentos e aumente o número de projetos em produção na próxima década.O País também tem condições favoráveis para o financiamento dos projetos, embora muitas empresas tenham dificuldades para oferecer garantias nas operações. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Finep lançaram, em 2025, uma chamada pública para fomentar negócios voltados para a transformação de minerais críticos.O resultado surpreendeu. Foram recebidas propostas que somaram R$ 85,2 bilhões em investimentos potenciais, volume cerca de 17 vezes superior ao orçamento inicialmente previsto. Então, foram selecionados 56 planos de negócios, que passaram pela fase de elaboração do Plano de Suporte Conjunto (PSC), com valor total de R$ 45,8 bilhões.BNDES e Vale foram âncora de um fundo para financiar projetos de mineração Foto: Vale/DivulgaçãoAlém disso, o BNDES e a mineradora Vale são âncoras (maior investidor a colocar dinheiro na carteira) de um Fundo de Investimento em Participações (FIP) que poderá atingir até R$ 2 bilhões de capital total para financiar projetos de minerais críticos, incluindo terras raras. Gerido pelo consórcio entre as gestoras Régia Capital (joint venture entre a BB Asset e a JGP Investimentos) e Ore Investments, o fundo iniciou sua captação e tem como alvo empresas de pesquisa mineral e desenvolvimento de minas no Brasil.PublicidadeCom condições favoráveis e uma reserva mineral robusta, o Brasil tem um número crescente de projetos em desenvolvimento, e os de menor porte podem se tornar alvos preferenciais de ofertas de aquisição, dizem especialistas.Há expectativa de interesse crescente em mineradoras ligadas a terras raras em Goiás e Minas Gerais, além de projetos de lítio no Vale do Jequitinhonha e ativos de cobre e níquel considerados estratégicos para a indústria de baterias.