Governo deve reagir após proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros Lula e Trump se reúnem na Casa Branca — Foto: Ricardo Stuckert / PR RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 10:58 Brasil usa reservas de terras-raras para evitar tarifas dos EUA Sob ameaça de tarifas de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros, o governo Lula usa a regulamentação de minerais críticos como trunfo. Com grande reserva de terras-raras, o Brasil negocia para evitar sanções econômicas. Além disso, argumenta o superávit comercial dos EUA com o Brasil e debate o combate ao crime organizado, após a possível classificação de facções como terroristas pelos americanos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Sob ameaça da aplicação de novas tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem citado a possibilidade de regulamentar a exploração de minerais críticos como trunfo nas negociações com o governo americano. Após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluir a investigação comercial contra o Brasil, com a proposta de taxação, o governo dos EUA vai realizar uma audiência, prevista para 6 de julho, para ouvir representantes de organizações de ambos os países. O interesse dos EUA na exploração de terras-raras brasileiras foi transmitido ainda em julho do ano passado, pelo encarregado de negócios da embaixada americana em Brasília, Gabriel Escobar. Desde então, o governo brasileiro tem tentado usar o tema como um trunfo nas discussões em torno das tarifas e outras medidas que podem gerar sanções à economia. A exploração dos minerais críticos foi discutida no último encontro entre Lula e Donald Trump, no início de maio. Na véspera da reunião, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que cria diretrizes para uma política nacional de terras raras. O texto ainda aguarda análise do Senado. O interesse americano surge diante de uma abundância desses recursos no Brasil, que é a segunda maior reserva de terras-raras no mundo. O presidente Lula tem sustentado que pode negociar com os americanos sobre acordos de exploração, mas que o governo seguirá aberto para investimentos de outros países no setor. Diante da corrida mundial pelos minerais, a mineradora Serra Verde, em Goiás (GO), única fora da Ásia a produzir em escala os quatro elementos magnéticos essenciais de terras-raras, foi comprada pela americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões em 20 de abril deste ano. Superávit comercial O primeiro tarifaço do governo americano sobre produtos brasileiros entrou em vigor no dia 6 de agosto do ano passado. Na decisão inicial, Trump citou uma perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, além de ameaças a plataformas americanas. Na época, um dos argumentos sustentados por Trump para imposição de tarifas sobre outros países era o déficit comercial que o país americano enfrenta com o resto do mundo. Desde então, representantes do governo brasileiro envolvidos na negociação argumentam que, diferentemente do que ocorre com outros países, os Estados Unidos têm um superávit na balança comercial com o Brasil. Este foi o discurso sustentado pelo presidente Lula, pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, e pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O argumento segue sendo usado pelo governo brasileiro, e foi citado na reunião de Lula com Trump no mês passado, mesmo com a percepção de que a aplicação das tarifas não tem fundamento econômico, mas sim político. Combate ao crime O crime organizado também se tornou pauta central na discussão, principalmente a partir do início deste ano, quando o governo americano passou a sinalizar que poderia classificar facções brasileiras como organizações terroristas. Até o anúncio das tarifas, a classificação do Primeiro Comando Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na semana passada havia se tornado a principal preocupação do governo brasileiro na relação com os americanos. A decisão do governo americano foi anunciada na semana passada, dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula nas eleições, ter se reunido com Trump. O combate ao crime organizado foi uma das principais pautas abordadas por Lula na reunião com Trump. O presidente brasileiro chegou a relatar que havia pedido ajuda com a prisão e deportação de brasileiros criminosos em Miami. Após a classificação do PCC e CV, Lula afirmou que as facções são uma ameaça para a população brasileira, mas rejeitou a forma como o governo do presidente Donald Trump trata o tema e disse que o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelo próprio Brasil. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, que tem sido o principal porta-voz do governo sobre a decisão do governo americano vem afirmando que as autoridades brasileiras vem apertando o cerco sobre o crime organizado, com operações como a Carbono Oculto, sobre lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.