Durante décadas, o currículo ideal era simples de montar, com tópicos de diploma, cursos técnicos e certificações. Quanto mais hard skills, melhor. Mas o mercado de trabalho brasileiro, e global, está mudando a régua, e uma nova categoria de competências passou a ocupar o centro das decisões de contratação. São as chamadas "power skills", um conceito que reposiciona e eleva o que antes se conhecia como soft skills, tratando-as como pilar central da empregabilidade. O termo "power skills" surge em resposta a uma percepção crescente de que o nome "soft" subestimava a importância dessas competências. Comunicação eficaz, inteligência emocional, pensamento crítico, empatia, adaptabilidade e capacidade de colaboração em ambientes de pressão são as habilidades que sustentam a performance, a liderança e a inovação dentro das organizações. A mudança de nomenclatura é intencional. Ela sinaliza que essas competências têm peso e devem ser desenvolvidas com o mesmo rigor com que se aprende uma linguagem de programação ou uma metodologia financeira. De acordo com a Pesquisa de Tendências da Catho, plataforma gratuita de empregos, habilidades como inteligência emocional, pensamento crítico e resolução de problemas, adaptabilidade e flexibilidade, criatividade e inovação, raciocínio lógico e comunicação eficaz estão entre as mais exigidas nas vagas de hoje. A pressão vem também do horizonte tecnológico. O Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que cerca de 40% das habilidades exigidas no trabalho devem mudar e que 63% dos empregadores já citam a lacuna de competências como a principal barreira à transformação dos negócios. Para Fabio Maeda, diretor de Growth & Experience da Redarbor Brasil, detentora da Catho, isso não significa que as hard skills perderam valor. Elas passaram a ser condição de entrada, não diferencial. O que separa candidatos igualmente qualificados tecnicamente é, cada vez mais, a capacidade de se comunicar, de lidar com conflitos, de tomar decisões sob incerteza e de trabalhar bem em equipe — ou seja, as power skills. "O candidato que só sabe fazer, mas não sabe se relacionar, liderar ou se adaptar, chega a um teto rapidamente. As empresas hoje buscam profissionais que consigam entregar resultados em ambientes complexos, que é onde as power skills fazem toda a diferença", afirma Maeda. Quase 90% das empresas brasileiras planejam requalificar sua força de trabalho nos próximos cinco anos, com foco em habilidades como pensamento criativo, alfabetização tecnológica e aprendizado contínuo, segundo o Fórum Econômico Mundial. O movimento deixa claro que o desenvolvimento dessas competências deixou de ser responsabilidade individual e passou a ser uma agenda estratégica das organizações. "Principalmente para os profissionais em início de carreira, é extremamente importante e necessário investir no desenvolvimento de power skills. E o primeiro passo é reconhecer que ser bom tecnicamente é o básico, o diferencial mesmo está em como você aplica esse conhecimento junto às pessoas", conclui Fabio.
A era das power skills chegou e redefiniu o que significa ser um profissional qualificado
Termo ganha força nas seleções e mostra que habilidades humanas como comunicação e pensamento crítico valem tanto quanto o domínio técnico














