Imagine dois candidatos para uma vaga de emprego. Um tirou nota 95. Este ganhou na loteria do nascimento, estudou nas melhores escolas e teve recursos para tudo de que precisava. O outro tirou 82. Este teve que trabalhar 8 horas por dia, 6 dias por semana, desde os 16 anos.
Quem tem mais mérito? Quem tem maior potencial? Quem provavelmente renderia mais se ambos tivessem as mesmas condições de partida?
Reflita sobre a rotina desse segundo candidato. Acordar cedo, trabalhar o dia todo, chegar em casa exausto e ainda assim abrir os livros. Cada ponto conquistado naquela prova representa horas de estudo roubadas do sono, do lazer e da juventude.
Enquanto isso, o primeiro candidato teve tempo livre para se dedicar apenas aos estudos. A nota 95 é ótima. A nota 82 é heroica. Porém, qual das duas revela mais sobre a capacidade individual?
No trabalho Retrospective Versus Prospective Meritocracy, Steven Durlauf, pesquisador associado da Universidade de Chicago, procura discutir um pouco isso. A meritocracia retrospectiva tende a olhar principalmente para o resultado final. Quem teve a maior nota merece mais. Já a meritocracia prospectiva tenta considerar algo diferente. Quem provavelmente tem maior potencial não realizado devido à ausência de oportunidade?














