Dados do MEC mostram desempenho pior em cursos à distância e em faculdades privadas com fins lucrativos; Música e Matemática lideram índice de notas baixas Prova Nacional Docente (PND) foi aplicada pelo MEC para medir o nível de formação de futuros professores no país — Foto: Guito Moreto RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 17:46 Formados em EaD têm desempenho insatisfatório na Prova Docente 2025 Mais da metade dos formados em licenciatura à distância em 2025 ficou abaixo do nível básico na Prova Nacional Docente, segundo o MEC. Cursos EaD e faculdades privadas com fins lucrativos tiveram pior desempenho, com Música e Matemática liderando em notas baixas. O MEC busca melhorias na formação docente, e a ABMES critica a metodologia de avaliação, sugerindo necessidade de maior precisão e transparência. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Mais da metade (53%) dos formandos de cursos de licenciatura e pedagogia na modalidade de ensino à distância (EaD) em 2025 não atingiu o nível básico de aprendizagem. Os estudantes ficaram abaixo da nota 3 em uma escala de 1 a 5 na Prova Nacional Docente (PND), segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério da Educação (MEC). Nos cursos presenciais, essa proporção cai para um quarto (26%). A PND foi aplicada pela primeira vez no ano passado e, a partir de agora, será realizada anualmente, assim como o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Os demais cursos de graduação continuam sendo avaliados a cada três anos pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). No resultado geral, 58% dos professores formados em 2025 ficaram acima do que o MEC considera como conhecimento básico, enquanto 42% não atingiram esse patamar. Nas universidades federais, 43,7 mil estudantes concluíram cursos de formação de professores em 2025. Desse total, 25% ficaram abaixo da nota 3 e foram classificados como abaixo do nível básico. Já nas instituições privadas com fins lucrativos, 53% dos formandos não atingiram a nota mínima considerada básica (3). Esse grupo concentra 80% dos alunos de ensino à distância do país. Em 2025, 93,9 mil pessoas concluíram a formação de professores nessa modalidade em instituições privadas com fins lucrativos. Em 2024, o MEC determinou que cursos de formação de professores, como licenciaturas e pedagogia, passem a ter no máximo 50% da carga horária em ensino à distância. Antes da mudança, apenas os estágios precisavam ser realizados presencialmente. — O MEC irá se debruçar sobre esses resultados específicos, por área, para direcionar políticas de formação continuada conduzidas pelo ministério e também auxiliar as redes de ensino que possuem programas próprios, visando sempre à melhoria da formação e da seleção de professores — afirmou o ministro da Educação, Leonardo Barchini. Os dados também mostram que os cursos de Música, Matemática e Letras Português-Inglês concentram os maiores percentuais de formandos abaixo do nível básico. Confira os índices: Música - 61%Matemática - 56%Letras - Português e Inglês - 52%Letras - Inglês - 51%Pedagogia - 47%Física - 44%Artes Visuais - 44%Educação Física - 44%Total Geral - 42%Ciência Da Computação - 42%Letras - Português - 36%Química - 30%Geografia - 28%Filosofia - 28%História - 24%Ciências Biológicas - 23%Letras - Português e Espanhol - 22%Ciências Sociais - 9% Reação Em nota divulgada após a publicação dos resultados do Enade das Licenciaturas, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) afirmou que a metodologia usada na avaliação pode provocar distorções na interpretação do desempenho de cursos e instituições. Segundo a entidade, cursos com bom rendimento acadêmico podem acabar recebendo conceitos insatisfatórios devido à forma como a escala de resultados é calculada. A associação cita a Nota Técnica nº 8/2026 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que combina a Teoria de Resposta ao Item (TRI) com o método Angoff para definir as faixas de desempenho dos estudantes. Para a ABMES, embora a avaliação seja importante para medir a qualidade do ensino superior, os instrumentos precisam garantir maior precisão, transparência e segurança na interpretação dos indicadores divulgados.