No primeiro sábado de maio (9) duas manchetes dividiram a capa da Folha. "Ministros do STF ampliam restrição aos penduricalhos" aparece, ironicamente, próxima a "Desigualdade cresce em 2025".
Se você não conhece o termo, penduricalhos são os benefícios extras que juízes, desembargadores e ministros recebem além de seus já generosos salários. O pacote completo pode facilmente dobrar o salário desses servidores do topo do funcionalismo público.
Em coluna anterior, calculei com Fernando Carnaúba, professor de educação matemática em Stanford, o que poderia ser feito com esses recursos. Se a economia dos penduricalhos do Judiciário fosse dividida, por exemplo, entre os recém-nascidos dos 25% mais pobres e aplicada em títulos públicos, cada um teria cerca de R$ 140 mil ao completar 30 anos.
Então, curiosamente, enquanto o país vê a desigualdade se aprofundar, quem deveria zelar pela justiça precisa ser forçado a restringir os próprios privilégios. Porém, o que interessa para esta coluna está na página A2, onde apareceu uma charge de Marília Marz com uma florzinha, uma lápide e a frase "Vidinha mais ou menos, até perdê-la junto dos penduricalhos".Tal deboche do Judiciário foi capaz de levantar um burburinho. Acontece que três dias antes havia morrido a jovem juíza Mariana Ferreira. Não demorou para alguém fazer uma associação macabra e iniciar uma onda de ataques contra a chargista e o jornal. Ela negou, disse que só soube da horrível coincidência a partir dos ataques na internet e que lamentava profundamente.














