A nova corrida do ouro, ou melhor, das terras-raras, ameaça um dos principais destinos turísticos de Minas Gerais. O planalto de Poços de Caldas, no sul do estado, possui vastos recursos minerais ao longo de uma área de, aproximadamente, 750 quilômetros quadrados, uma região rica no grupo de 17 elementos usados para a produção de chips, carros elétricos e equipamentos militares. O físico e presidente da Aliança em Prol da Área de Proteção Ambiental da Pedra Branca, Daniel Tygel, atua na defesa do meio ambiente na região e tem acompanhado o processo de pesquisas e licenciamentos dos projetos de duas empresas australianas, a Viridis, com o ­Colossus, em Poços de Caldas, e a ­Meteoric, com o Caldeira, na vizinha Caldas. Segundo ele, a concessão das certidões de localização, documentos emitidos pelas prefeituras que atestam a permissão para a mineração em determinado zoneamento, foi feita sem estudos ou pesquisas.

O atropelo se repete no âmbito estadual. “O processo de licenciamento ambiental está sendo feito de maneira absolutamente preocupante. Já temos um histórico, aqui em Minas Gerais, onde o escândalo de corrupção foi justamente de compra e forja de licenciamentos ambientais, na Operação Rejeito. E estamos vendo um processo a toque de caixa para dois empreendimentos de empresas que não têm nenhuma experiência de mineração de terras-raras”, argumenta. O risco de contaminação da água, prossegue Tygel­, é grande, pois, em geral, locais em regiões com terras-raras também possuem alta concentração de urânio e tório, elementos radioativos. Além disso, os rejeitos sólidos e os lodos químicos resultantes da extração liberam metais pesados que podem contaminar o solo e a água e se espalhar por várias cidades.