Relatórios da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) sobre os projectos das centrais fotovoltaicas Sophia e da Beira, ambos na Beira Baixa, distrito de Castelo Branco, revelam “impactos permanentes e irreversíveis sobre o território”, refere um comunicado da Plataforma de Defesa do Parque Natural do Tejo Internacional, um movimento cívico que se opõe aos megaprojectos de energia solar.A APA divulgou os relatórios da consulta pública e da avaliação ambiental relativos aos projectos das centrais fotovoltaicas Sophia e da Beira após não só meses de contestação, refere o comunicado, mas também uma queixa formal à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA).A plataforma sustenta que os relatórios confirmam problemas identificados ao longo do processo por cidadãos e entidades e que, nesse sentido, tais documentos devem reabrir a discussão sobre o enquadramento territorial e ambiental de projectos de grande escala na Beira Baixa.De acordo com o comunicado, os relatórios “identificam impactos permanentes e irreversíveis sobre o território” e apontam problemas relacionados com paisagem, solos, recursos hídricos, biodiversidade, ordenamento do território e fragmentação ecológica. As comissões de avaliação, refere o movimento cívico, alertam para a “industrialização” e “artificialização” do território, usando expressões como “homogeneização da paisagem”, “fragmentação territorial” e “impactos permanentes e irreversíveis”.O comunicado refere que “tanto entidades técnicas como numerosos contributos”, em sede da consulta pública, defenderam a realização de uma Avaliação Ambiental Estratégica integrada para a Beira Baixa, uma análise capaz de considerar em conjunto os efeitos de centrais e infra-estruturas associadas. O movimento cívico reitera agora a importância dessa mesma análise integrada, pedindo maior transparência por parte da APA. Recomendada redução do SophiaNo caso específico da central fotovoltaica Sophia, a plataforma cívica assinala uma conclusão do relatório que considera determinante: a comissão de avaliação terá indicado a necessidade de uma “redução muito significativa” do projecto para que os impactos pudessem ser “potencialmente minimizados”. O movimento entende que esta formulação aponta para um problema de escala e não apenas para a necessidade de medidas de mitigação.