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Economista, professor do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia. Pesquisador do Transforma Economia/Unicamp
Enquanto se rejeita uma estatal brasileira no setor, avança a atuação de mineradoras estrangeiras apoiadas por governos de outros países
Iniciou-se, nas últimas semanas, a segunda fase da ofensiva do grande capital norte-americano sobre as terras raras brasileiras. A investida articula i) entidades representativas das grandes mineradoras: o Ibram, Instituto Brasileiro de Mineração, e a AMC, Associação de Minerais Críticos, ambas de composição majoritariamente estrangeira; ii) a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil; iii) os grandes meios de comunicação, tais como Valor Econômico e Folha de S. Paulo; e iv) parlamentares conhecidamente simpáticos à causa das grandes empresas do setor. Do outro lado, movimentos populares, parlamentares combativos, lideranças políticas e uma minoria dentro do governo federal se movimentam para a criação de uma estatal para as terras raras, a Terrabras, na tentativa de transferir ao Estado brasileiro o controle sobre segunda maior reserva mundial desses minerais.
No dia 20 de abril, a USA Rare Earth anunciou a compra da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, Goiás. A Serra Verde opera a mina Pela Ema, único depósito de argilas iônicas de terras raras fora da Ásia capaz de produzir em escala os quatro elementos utilizados para a fabricação de imãs permanentes (neodímio, praseodímio, disprósio e térbio), aqueles utilizados em veículos elétricos, aerogeradores, equipamentos eletrônicos e de defesa. Antes da venda, a empresa vendida já era, apesar do nome, de propriedade estrangeira, mas sua aquisição não pode ser encarada como uma transação privada ordinária. A USA Rare Earth, nova controladora da empresa, é, na prática, um instrumento de política do Estado americano operado por um capital privado. Vejamos. Em janeiro de 2026, a empresa anunciara uma carta de intenções com o governo dos EUA para a acesso a 1,6 bilhão de dólares em financiamento público destinado a acelerar a cadeia de valor dos EUA em minerais críticos. O aporte, que significará participação acionária do governo dos EUA, foi aplaudido pela CEO Barbara Humpton, quem agradeceu nominalmente ao presidente Trump e sua equipe.








