O objetivo é reduzir a participação do Governo de Minas Gerais dos atuais 50,03% para apenas 5,03%, ou mesmo zerar a fatia em caso de realização de oferta adicional Reservatório COPASA MG — Foto: Reprodução COPASA RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 20:12 Copasa Inicia Privatização com Oferta de Ações de Até R$ 10 Bi A Copasa, estatal de saneamento de Minas Gerais, iniciou um processo de privatização com uma oferta pública de ações que pode movimentar até R$ 10 bilhões. O governo mineiro busca reduzir sua participação de 50,03% para 5,03% ou menos, dependendo de uma oferta adicional. A Sabesp optou por não participar, mas a Aegea, líder no setor, está entre os principais interessados. A operação visa atrair investimentos para universalizar serviços de água e esgoto até 2033. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Copasa, estatal de saneamento de Minas Gerais, protocolou seu pedido de oferta pública secundária de ações, num processo de privatização que poderá alcançar R$ 10 bilhões, segundo prospecto divulgado pela companhia anteontem. Na mesma data, a Sabesp — até então dada como certa na disputa — anunciou que ficará de fora do processo. O trâmite prevê uma oferta inicial de 171,1 milhões de ações da Copasa, a R$ 53,77 por papel, valor de fechamento na última terça-feira. Essa fatia movimentaria R$ 9,029 bilhões. Está prevista, porém, a possibilidade de um lote adicional de 19,13 milhões de ações, o que elevaria o valor total. A modelagem adotada para privatizar a Copasa é similar à usada na privatização da gigante Sabesp, de São Paulo. A Copasa busca um acionista de referência que deve comprar 30% do capital anteriormente a uma oferta pública de ações da companhia, quando poderá arrematar mais papéis até o limite de 45% dos direitos de voto na empresa. O objetivo é reduzir a participação do Governo de Minas Gerais dos atuais 50,03% para apenas 5,03%, ou mesmo zerar a fatia em caso de realização da oferta adicional. A desestatização da Copasa mira em preparar a empresa para ampliar investimentos, universalizar serviços de água e esgoto, mas gerar recursos para que o estado possa abater suas dívidas com a União. Com isso, a operação não vai resultar em capitalização da Copasa, já que os recursos seguirão diretamente para o acionista vendedor das ações, o Estado de Minas Gerais. Criada em 1963, a estatal atende a 75% dos municípios mineiros, ou 893, somando mais de 39 milhões de habitantes. Pelo porte, é vista por especialistas como o ativo “derradeiro” dentre os de grande porte no setor de saneamento. Até anteontem, o mercado dava como certa que a disputa pela Copasa seria travada pelas duas gigantes do saneamento brasileiro hoje: Aegea e Sabesp. A companhia paulista, no entanto, desistiu de participar do processo, sob o argumento de que está direcionando investimentos a sua operação. Isso não significa, contudo, que a Equatorial, controladora da Sabesp, ficará de fora do processo. Procurada, a Equatorial informou que “está sempre atento às oportunidades em suas áreas de atuação, mas não comenta sobre possibilidades de negócios ou aquisições”. — (Pesa) o tamanho do cheque num contexto de custo de capital muito alto — avalia Claudio Frischtak, sócio e presidente da Inter.B Consultoria. — Creio que houve uma certa pressa por conta do ciclo político. Para entrar na disputa pelo posto de acionista de referência da Copasa, o investidor ou grupo de investidores tinha de apresentar uma carta de fiança de ao menos R$ 7 bilhões, soma muito alta, segundo o economista. — É para poucos. E há pouco interesse do pessoal de fora — acrescentou. O Brasil conta com outros grandes grupos atuando no setor, como BRK e Iguá, que poderiam fazer ofertas pela estatal mineira. Frischtak lembra que “há o imperativo de universalização de serviços de água e esgoto até 2033, o que pressiona os concessionários”. A data foi estabelecida pelo marco legal do saneamento, de 2020. Na prática, as concessionárias precisam acelerar investimentos nos anos iniciais de contrato para cumprir a meta. Em cenário de alto endividamento das empresas e taxa de juros nas alturas — e agora com perspectiva de queda mais lenta — o aporte exigido para tocar projetos será avaliado com mais e mais critério. — Há o imperativo de universalização até 2033, o que pressiona os concessionários — destaca Frischtak. A privatização da Sabesp, concluída em julho de 2024, movimentou R$ 14,7 bilhões. Na época, a empresa atendia a 375 municípios de São Paulo, somando 28,1 milhões de pessoas. A oferta da Copasa será coordenada por BTG Pactual, com Itaú BBA, Bank of America, Citi e UBS BB. Haverá esforços para colocar ações também no exterior. De acordo com o prospecto publicado pela Copasa, o capital social da companhia totaliza R$ 5 bilhões, considerando 380,25 milhões de ações ordinárias. Pelo cronograma divulgado, as propostas serão recebidas pela estatal mineira até segunda-feira. O anúncio do investidor de referência escolhido sai dois dias depois, na quarta-feira, 27 de maio, enquanto a precificação da oferta será fixada em 2 de junho. Por ora, a maior expectativa de oferta, segundo pessoas que acompanham negociações no mercado de saneamento, recai sobre a Aegea, a líder no setor no país. O CEO da companhia, Radamés Casseb, afirmou anteriormente que seguia avaliando a potencial participação na privatização da Copasa. Com dívida elevada, a Aegea recebeu aporte de R$ 1,2 bilhão de seus acionistas de referência — Equipav, GIC, fundo soberano de Cingapura, e Itaúsa, em março. Na semana passada, contudo, a Bloomberg noticiou que esse grupo colocaria US$ 1 bi na Aegea. Uma fatia disso poderia financiar a aquisição da Copasa. Isso esquentou as apostas de que a companhia pode levar estatal mineira. Procuradas, Aegea e BRK e Iguá informaram que não vão comentar. A Iguá explicou que não antecipa divulgação de eventuais movimentos de expansão. Já a Acciona, multinacional espanhola que vem avançando no saneamento no Brasil, afirmou que não vai participar do processo.
Copasa lança oferta de ações para privatização e pode movimentar mais de R$ 10 bilhões
O objetivo é reduzir a participação do Governo de Minas Gerais dos atuais 50,03% para apenas 5,03%, ou mesmo zerar a fatia em caso de realização de oferta adicional










