0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sede da Polícia Federal, em Brasília — Foto: Cristiano Mariz Presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva avalia que a raiz dos problemas que provocaram a guerra em curso no STF são as desconfianças mútuas entre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça — que poderiam ter sido evitadas se o chefe da corporação não fosse simplesmente uma escolha pessoal do presidente da República. Diante da crise que resultou no afastamento relâmpago de Rodrigues do comando da Polícia Federal, o chefe da entidade pretende retomar a articulação junto ao Congresso para viabilizar um pleito antigo da categoria: a exigência de uma lista tríplice para a escolha do diretor-geral. Além disso, a associação também quer garantir um mandato fixo para o cargo e a autonomia da corporação. Afirmou Paiva à coluna: — Uma coisa que a gente fala há muito tempo é que se não houver mandato para o diretor-geral, nem lista tríplice, nem autonomia, a gente vai viver isso... Já viveu no passado, não esse mesmo episódio, mas outros episódios talvez tão graves quanto, e vamos viver no futuro. É uma pena que nenhum presidenciável esteja defendendo algum nível de autonomia e proteções para a Polícia Federal, como mandato para o diretor-geral e lista tríplice. Deveria ser o mínimo. Complementou: — Porque a raiz desses problemas todos são as desconfianças mútuas entre o diretor-geral da Polícia Federal e o ministro André Mendonça. Se o diretor-geral não fosse nomeado diretamente pelo presidente, uma escolha pessoal do presidente, talvez essas desconfianças não existissem. E não isso é de hoje, isso aconteceu nos outros governos. No governo Bolsonaro, nós tivemos interferências. Nos governos passados, muita pressão. Pressão não é novidade para nós. Momentos de crise também não. E a raiz delas é a falta de proteção da Polícia Federal. Ainda segundo o delegado da PF, há cerca de 15 anos, a ADPF tinha os mesmos pleitos, mas não conseguia dar exemplos concretos. Já hoje, diz Paiva, "o que não faltam são exemplos concretos da necessidade de mudança na legislação". Comentou o presidente da ADPF: — É muito ruim quando se pergunta para o diretor-geral se a Polícia Federal tem autonomia e ela fala assim: 'o presidente Fulano de Tal nos dá autonomia'. Não pode ser assim. E quando o presidente não quiser dar autonomia, como é que fica? Porque muitas vezes ele não quer. — Tem o caso do Bolsonaro lá, essa história do Lulinha agora. Então são recorrentes e vai acontecer de novo se não houver mudanças. Então nós mais uma vez vamos tentar sensibilizar o Congresso Nacional da necessidade de proteger a Polícia Federal. Concluiu o delegado: — Não é sintomático que na hora que a crise aumenta, com tanta gente suspeita de envolvimento, o primeiro ato concreto é a instauração de um Procedimento de Controle Externo da Polícia pela PGR, contra os delegados que está na investigação? Por quê? Porque são os desprotegidos, a Polícia Federal é desprotegida.