Entidade que elabora a lista tríplice para a indicação de procurador-geral da República declarou que os acontecimentos das últimas semanas revelam uma tensão institucional de 'rara intensidade' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sessão de julgamento do STF. Na foto os ministros (à partir da esq.) Flávio Dino, André Mendonça, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — Foto: Luiz Silveira/STF A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) emitiu nota pedindo que os “agentes públicos” envolvidos nos episódios da crise do Supremo Tribunal Federal (STF) atuem “com moderação e apego à legalidade”. A entidade de classe, que elabora a lista tríplice para a indicação ao cargo de procurador-geral da República (PGR), declarou que os acontecimentos das últimas semanas revelam uma tensão institucional de “rara intensidade”. A associação disse acompanhar o cenário com preocupação e ressaltou a responsabilidade dos agentes públicos na preservação das instituições. Leia mais “As instituições devem sempre prevalecer, e preservar sua autoridade é preservar a própria capacidade do Estado de proteger direitos e garantir a ordem democrática”, informou a ANPR na nota. A entidade também destacou que a democracia brasileira dispõe de mecanismos institucionais para enfrentar períodos de tensão e defendeu que divergências sejam solucionadas dentro das regras estabelecidas. “Assim, a ANPR conclama todos os agentes públicos envolvidos a agir com moderação e apego à legalidade, com a serenidade de quem confia que as instituições, construídas ao longo de décadas de amadurecimento democrático, têm mecanismos próprios para superar crises e divergências”, diz outro trecho da nota. A associação não citou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, nem ministros do STF. A entidade afirmou ainda esperar que prevaleçam a legalidade, o diálogo entre os Poderes e o respeito entre as instituições. Segundo a ANPR, esse é o caminho para preservar os princípios do Estado Democrático de Direito diante do atual cenário. A crise no STF ganhou força na semana passada, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o ministro Alexandre de Moraes. O documento também registrou contatos de Vorcaro com Paulo Gonet, por meio do advogado Ciro Soares. Moraes reagiu pedindo a investigação de Mendonça por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O pedido passou à responsabilidade do presidente do STF, Edson Fachin, que também solicitou esclarecimentos aos envolvidos. Ontem, Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Nesta quarta-feira, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração dos dois, em decisão tomada em processo de sua relatoria, ampliando a sobreposição de decisões entre integrantes da Corte.