Enquanto uma ala cobra agilidade, a outra vê necessidade de respeitar os ritos em meio a decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Edson Fachin, presidente do STF — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo O tempo de reação de Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), para conter a crise que tomou conta da Corte, está dividindo ministros. Enquanto uma ala cobra agilidade e vê impacto crescente de decisões nas eleições deste ano, outra fala em respeito aos ritos e diz que o momento exige calma. Os capítulos mais recentes da crise envolvem as decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre a permanência do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, no cargo. Leia mais Ontem, Mendonça determinou o afastamento preventivo de Rodrigues. Já nesta manhã, Dino deu uma decisão determinando a reintegração do chefe da PF. No meio da disputa está Fachin, que é relator de um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para que a ordem de Mendonça seja derrubada. O presidente do STF ainda não decidiu. Na terça-feira ele deu 72 horas para Mendonça se manifestar sobre a solicitação. A decisão de Dino gerou reações imediatas entre ministros. Mendonça procurou Fachin cobrando providências e qualificou a ordem de Dino como ilegal. Outros disseram a Fachin que as determinações conflitantes abrem margem para que integrantes do STF revisem monocraticamente ordens de colegas. Diferentes alas dão respostas distintas quando buscam explicar a situação do Supremo. Por um lado, há quem veja inércia de Fachin, que promete uma resposta à altura para acusações contra ministros, mas estaria demorando demais para tomar o controle e resolver impasses na Corte. A demora, argumentam alguns, estaria permitindo que decisões dadas por Mendonça interfiram nas eleições e que o ministro atue sem respeitar ritos nas investigações do Master e da fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dois dos processos mais rumorosos do Supremo e de potencial impacto nas eleições. Por outro lado, há ministros que entendem que Fachin está apenas respeitando ritos em um Tribunal que tem pouca paciência. Essa pressa estaria causando atropelos à presidência por parte de diferentes alas do STF. Os exemplos mais recentes disso seriam justamente a decisão que afastou e a que reintegrou Rodrigues. “Faroeste”. Essa foi a maneira que um auxiliar do STF qualificou as duas decisões sobre Andrei Rodrigues dadas em um intervalo de 24 horas por Mendonça e Dino. Há a análise de que “bolas divididas” entre integrantes da Corte atrapalham ainda mais e passam a impressão de que disputas por poder estão no centro decisório do Supremo. De forma pouco usual, Fachin cancelou o julgamento presencial do plenário que ocorreria hoje. A avaliação é que ele tenta ganhar tempo e evitar que haja uma guerra aberta, com recados dados por ministros de diferentes alas durante a sessão. Neste intervalo, o presidente deve ouvir colegas e pensar em como decidirá o pedido da AGU contra o afastamento de Andrei. Fachin deve ouvir outros colegas ao longo do dia, entre eles Alexandre de Moraes, que também está no centro da crise do STF. Entenda a crise no STF A crise sem precedentes vivida pelo Supremo escalou no início da semana passada, quando Mendonça tirou o sigilo de um relatório da PF que cita mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, a um número de telefone atribuído a Moraes. Nelas, Vorcaro busca informações e intervir na apuração que levaria à sua primeira prisão, decretada em novembro do ano passado pela Justiça Federal. Moraes reagiu na quinta-feira (3), quando pediu a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crimes de responsabilidade. A solicitação questiona a atuação de Mendonça nos casos Master e do INSS. O argumento de Moraes, que tem por base relatórios da PF, é que o colega estaria atuando politicamente e mirando alvos específicos. Ao afastar Rodrigues, Mendonça citou os relatórios usados por Moraes para sustentar que foi monitorado pela PF por mais de 30 dias. “A produção dos ‘relatórios de inteligência' impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas”, afirmou. No último capítulo, Dino determinou a reintegração do chefe da PF. A decisão foi dada no inquérito que apura a destinação de emendas à produtora de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele justificou a ordem, entre outros motivos, afirmando que o afastamento atrapalha investigações em curso. “A interrupção dos trabalhos de direção de investigações policiais interessa, sobretudo, aos investigados”, sustentou.
Ministros se dividem sobre ação de Fachin diante de crise no STF
Enquanto uma ala cobra agilidade, a outra vê necessidade de respeitar os ritos em meio a decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino













