Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) veem o presidente da corte, Edson Fachin, sem senso de urgência para resolver a escalada da crise, que ganhou um novo capítulo com a "guerra de liminares" entre os ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o destino de Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF (Polícia Federal).

De acordo com um magistrado aliado de Dino, a decisão de reintegrar Rodrigues ao cargo, depois que Mendonça mandou afastá-lo, traduz uma insatisfação com o fato de Fachin não ter imediatamente revertido a medida, mas optado por fixar um prazo de 72 horas para que o relator do Master se manifestasse.

Do mesmo modo, Mendonça procurou Fachin pedindo a adoção de providências, pois Dino teria atropelado não só os procedimentos do presidente do STF como também o julgamento da Segunda Turma, que formou maioria para manter o afastamento de Andrei. Pressionado, Fachin acabou cancelando a sessão plenária desta quarta-feira (9).

A avaliação de integrantes dos dois grupos é a de que Fachin, a pretexto de agir com prudência, está deixando o STF sangrar, o que tem efeitos inclusive para as campanhas eleitorais. O presidente da corte, por outro lado, tem dito a pessoas da sua equipe que é preciso cautela e discrição para lidar com uma crise sem precedentes, visando a preservação das instituições.