Entidade afirmou que Brasil vive 'crise institucional grave' e pediu 'serenidade de todos os atores' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Andrei Rodrigues, Diretor-Geral da Polícia Federal — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo A Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal (ADPF) criticou nesta terça-feira a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça de afastar de forma "monocrática" o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Em nota, a associação afirmou que o momento é de "crise institucional grave" e defendeu que a decisão seja avaliada pelo plenário do Supremo. "Essa cautela impõe-se com maior razão no contexto dos fatos ora analisados, em que documentos integrantes de investigações em curso na própria Corte fazem referência a ministros que a compõem. A deliberação pelo colegiado pleno, nessas circunstâncias, é medida de preservação da autoridade do Tribunal, de garantia do devido processo legal e de prevenção da prática de atos passíveis de nulidade, cujos efeitos recairiam sobre as investigações e sobre a própria instituição que se pretende resguardar", diz o texto assinado pela entidade que reúne 2,3 mil delegados. A associação também afirmou que o afastamento do chefe da corporação só poderia ocorrer se estivesse atrelado a um inquérito policial ou a uma ação penal - o que não ocorreu. "Nenhum dos dois procedimentos estava formalmente aberto contra os afastados no momento em que a medida foi determinada, o que fragiliza a base jurídica invocada e antecipa, para momento anterior à própria instauração dos procedimentos, efeito que a lei reserva para depois de sua abertura", acrescentou o texto. A associação ainda afirmou que o conflito instaurado no Supremo Tribunal Federal (STF) impacta a "estabilidade interna" da instituição. E pediu a "serenidade de todos os atores", com "respeito aos ritos processuais e confiança de que os fatos serão esclarecidos pelas vias constitucionais". Os delegados também defenderam que os processos ocorram "sem exposição pública de quem exerce a função policial em cumprimento da lei". Entenda o afastamento do chefe da PF Mendonça afirmou ter sido alvo de um “monitoramento sistemático” e "ilegal" realizado pela área de inteligência da Polícia Federal por cerca de um mês. O magistrado listou seis relatórios produzidos entre os dias 3 e 31 de agosto com análises sobre sua atuação e sobre sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias. O caso citado pelo ministro veio à tona na semana passada, em decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes. O magistrado afirmou em decisão ter conhecimento de relatórios de inteligência da Polícia Federal que apontavam possíveis irregularidades na conduta de Mendonça na condução das investigações sobre as fraudes no Master e no INSS. Moraes tomou a decisão após Mendonça retirar o sigilo de um outro relatório feito pela PF, relatando mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a ele no mês em que este foi preso e o seu banco foi liquidado pelo Banco Central. Com base nesses relatórios, que não têm assinatura nem brasão oficial da PF, Moraes pediu uma investigação sobre Mendonça e apontou indícios de crime de responsabilidade, abuso de poder e improbidade administrativa. O documento traz a suspeita de que Mendonça pode ter interferido indevidamente na Polícia Federal e direcionado delações premiadas, o que, de acordo com os textos, pode ter ocorrido por interesses políticos. Moraes não determinou a elaboração dos relatórios, mas afirmou na decisão que ordenou o envio "em virtude da notícia da existência" deles, sem revelar como tomou conhecimento deles. A decisão diz que a PF deve mandar os documentos que "contenham citação a nomes dos membros dessa Suprema Corte". Mendonça, por sua vez, sustentou em decisão nesta terça-feira que o material revela a realização de “monitoramento e coleta dirigida” tanto sobre ele quanto sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias, que também é citado nos relatórios de inteligência. Para Mendonça, a prática configura um “monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país”. "Em segundo lugar, importa registrar que este relator foi submetido a monitoramento sistemático por parte da inteligência da Polícia Federal (...) Houve a produção de ao menos seis relatórios de inteligência, os quais teriam sido recebidos por referida autoridade entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026. Ou seja, ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação", escreveu Mendonça. O ministro também afirma que Moraes já tinha conhecimento da existência dos relatórios antes de eles serem formalmente encaminhados. Segundo o ministro, Andrei enviou o material a Moraes em 1º de setembro. Mendonça associa essa comunicação à sua inclusão no inquérito das fake news, medida que foi revertida depois por decisão do presidente da Corte, Edson Fachin. Segundo Mendonça, o relatório levantou como hipótese que Messias teria deixado de recorrer para preservar sua “relação política com o relator”. O próprio documento, porém, classificava como baixa a confiança agregada na cadeia de inferências utilizada para sustentar essa hipótese. Ainda assim, registrava expressamente que as informações autorizavam “monitoramento e coleta dirigida”. É a partir dessa passagem que Mendonça conclui que houve efetivamente coleta direcionada de informações sobre ele e sobre o chefe da AGU. O ministro observa ainda que o relatório fazia referência a elementos “ainda não registrados em relatórios anteriores” e retomava avaliações anteriores sobre a relação entre os dois, o que, em sua avaliação, reforçaria o caráter continuado do acompanhamento. “Verifica-se que o monitoramento e coleta dirigida de informações deste Ministro relator e do Advogado-Geral da União ocorria ao menos há mais de um mês”, escreveu Mendonça.
Associação de delegados critica decisão de Mendonça e diz que afastamento do diretor-geral deve ser avaliado pelo plenário do STF
Entidade afirmou que Brasil vive 'crise institucional grave' e pediu 'serenidade de todos os atores'












