Nada mais trágico para a sociedade brasileira do que a perda de legitimidade e de reputação do Poder Judiciário. Não escapa aos olhos dos cidadãos mais atentos que a regra da separação e equilíbrio harmônico dos poderes tem sido substituída pela autonomização das instituições republicanas, em clara violação dos princípios erigidos e rediscutidos ao longo de séculos de consolidação do Estado de Direito.
A crise no Supremo Tribunal Federal expõe a rivalidade antirrepublicana entre poderes autônomos e rivais preocupados em assegurar as próprias prerrogativas, usurpando a soberania do povo a quem devem a legitimidade de suas ações. Essa lógica fatal contamina as instâncias decisivas do poder estatal. Não se trata apenas de que as distintas instituições do Estado Democrático de Direito buscam abocanhar frações crescentes do poder. Pior que o pior: comportam-se, diante do cidadão, como forças estranhas e hostis, usurpando os poderes que deveriam ser exercidos em nome do interesse público. As autoridades judiciárias afundam sua reputação no lodaçal do narcisismo.
As recentes exibições de narcisismo das autoridades judiciárias na mídia e nas redes sociais são um exemplo impecável de como os deveres republicanos se dissolvem diante dos esgares incontroláveis da subserviência aos valores do mundo das celebridades, coadjuvada pelo corporativismo mais escancarado da magistratura. Os cidadãos ainda vão ficar à mercê de um juiz youtuber.














