Apenas na quarta-feira (9), a presidência do STF suspendeu as decisões de André Mendonça e de Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, retirou Alexandre de Moraes do inquérito das fake news e convocou sessão extraordinária para o julgamento dos diálogos entre Moraes e Daniel Vorcaro. É a maior crise institucional da Suprema Corte em décadas. De uma escala que ninguém poderia imaginar, mas com uma raiz que há muito conhecíamos: a ausência de transparência.

Em janeiro, esta coluna já listava cinco diretrizes mínimas para um código de conduta nas cortes superiores e, em fevereiro, publicava sobre outros sete países que o Brasil mira como modelo e que já divulgam as declarações de interesse econômico de seus ministros.

Mesmo sem ter ciência de metade dos absurdos que recentemente vieram à tona, era claro que quanto antes o tribunal tratasse do assunto, menos traumático seria. Infelizmente, deixaram a batata assar logo agora, às vésperas da eleição presidencial.

Ministros, a cada dia que passa sem que essas informações sejam públicas e acessíveis, o tribunal se desintegra perante a opinião pública. Sendo evidente que o plenário não vai tomar essa decisão, façam individualmente: cada ministro pode publicar sua própria declaração de interesses.