Ao tornar público o relatório elaborado pela Polícia Federal sobre as relações impróprias de Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, o ministro André Mendonça lança uma granada de mão no plenário do STF.

Estamos diante de um jogo político de final imprevisível. Além de ajudar a destruir a reputação do magistrado que julgou e prendeu o golpista Jair Bolsonaro (seu chefe, de quem foi ministro da Justiça, arbitrário e submisso), os estilhaços da granada de André Mendonça também acertam o procurador-geral da República Paulo Gonet, promovendo uma espécie de desagravo silencioso à memória do sumido e melancólico Augusto Aras, que tanto envergonhou a instituição.

Não há inocentes úteis ou inúteis no enredo que se apresenta ao país.

Paulo Gonet, que rapidamente proferiu um parecer pela nulidade da investigação contra Alexandre de Moraes, é a mesma autoridade que comemorou o convite para a viagem a Londres por conta de charutos e doses do puro malte escocês que o banqueiro gentil e corrupto patrocinava.

Detalhe importante, as investigações de André Mendonça não alcançam a figura de Dias Toffoli, o outro ministro do STF enredado nas teias ardilosas de Vorcaro: Toffoli, como se sabe, apesar de ter sido nomeado por Lula, é amigo do peito do chefe de Mendonça, o golpista Bolsonaro.