Com pedido para investigar ministro por suspeitas graves, STF mergulha em crise inédita 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça durante sessão plenária no STF — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo As revelações de ontem lançaram o Supremo Tribunal Federal numa crise inédita em 135 anos. No olho do furacão, misturam-se suspeitas graves contra um ministro, a guerra intestina na Corte e a eleição presidencial. Um relatório da Polícia Federal escancarou as relações perigosas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Na mira de investigações, o banqueiro recorria ao ministro em busca de conselhos e proteção. Três dias antes de ser preso, o pivô de fraudes bilionárias se desmanchou em mensagem ao juiz: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”. No dia seguinte, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria fugir do país: “Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Foi interceptado com o pé no jato, quando tentava decolar para Dubai. As respostas do ministro foram apagadas, mas não resta dúvida de que ele atropelou as fronteiras entre o público e o privado. A PF constatou que Moraes foi o último a editar a minuta do contrato em que Vorcaro se comprometeu a pagar R$ 131 milhões ao escritório de sua mulher. Num país funcional, o ministro já teria renunciado ou pedido licença para preservar a imagem da Corte. Não é o caso no Brasil, onde autoridades em apuros fazem de tudo para se agarrar ao poder. Há outros exemplos no mesmo tribunal. Moraes se encharcou de gasolina sozinho, mas quem escolheu a hora de riscar o fósforo foi o ministro André Mendonça. Relator do caso Master, ele vem sendo questionado por vazamentos seletivos e outros métodos que fazem lembrar a Lava-Jato. Desafetos na Corte o acusam de montar uma delegacia em seu gabinete, acumulando as funções de juiz e investigador. A decisão de levantar o sigilo do caso a 33 dias da eleição só reforça os paralelos com a atuação de Sergio Moro em 2018. Indicado por Jair Bolsonaro, Mendonça pode ser muitas coisas, menos ingênuo. Sabe que deu um trunfo à direita e incendiou a eleição ao empurrar Moraes para a fogueira na reta final da campanha.