O Supremo Tribunal Federal, não é de hoje, merece críticas severas ao comportamento de magistrados individualmente e da Corte como um todo. Antes mesmo da ascensão da ultradireita, com seus ataques à democracia em geral e ao STF em particular, estudiosos e analistas do funcionamento de nosso sistema judicial apontavam falhas graves, cuja remediação se impunha tanto para preservar a legitimidade das instituições do Estado Democrático de Direito, como para prover justiça efetivamente.

A conduta politizada de certos magistrados, sua incontinência verbal, as relações promíscuas mantidas com interesses privados, a mudança casuística de posição em relação a julgados, o monocratismo, dentre outros vícios, são mazelas que duram quase três décadas. Tais problemas se exacerbaram a partir de 2012, quando se julgou o mensalão. A partir dali o protagonismo do tribunal se amplificou, transbordando do mero controle de constitucionalidade para a atuação na esfera criminal, que, embora fosse parte das atribuições do STF, não tinha a centralidade que ganhou a partir de então.

Tal âmbito de operação do tribunal foi especialmente importante durante os anos de Jair Bolsonaro, quando ameaças à democracia e a gestão catastrófica e negacionista da pandemia o converteram em baluarte na defesa do Estado de Direito e da saúde pública. Nisso foi crucial a proatividade do ministro Alexandre de Moraes perante as invectivas autoritárias do bolsonarismo, pondo freios à desinformação, à promoção de atos antidemocráticos, à sabotagem do processo eleitoral e, finalmente, à tentativa de golpe de Estado. Não à toa, Moraes converteu-se em inimigo preferencial do bolsonarismo e, por extensão, da ultradireita inteira, que, contudo, não antagonizou unicamente com esse integrante do tribunal. Outros magistrados e a Corte toda viraram desafetos.