Está nas mãos de dez pessoas o destino da nossa democracia. São os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), dos quais depende hoje o resgate da credibilidade da corte à qual servem e à qual compete —nada mais, nada menos!— garantir que o país funcione dentro da ordem constitucional.

Tribunais constitucionais são a pedra de toque das democracias: não podem exercer a função se envolvidos em suspeitas e descrédito.

Isso parece mais ideal do que real. Mas real —e imediato— é o perigo. Basta um exemplo: é quase certo que as eleições presidenciais produzirão um resultado apertado, dando margem a contestações, fundadas ou não. Se isso ocorrer, a defesa do respeito às regras eleitorais e às instituições que as protegem encontrará um frágil dique de contenção judicial, dada a inegável deterioração da imagem do STF e, por tabela, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).A crise que está levando à deslegitimação da corte tem causas imediatas, contingentes, e outras, mais remotas. De imediato, existem as denúncias de relações impróprias dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com Daniel Vorcaro, o corruptor da República. Some-se a isso a possível tentativa do encarregado do inquérito do Banco Master, o ministro André Mendonça, de beneficiar o candidato presidencial do bolsonarismo, mediante vazamentos seletivos de informações.