Mudanças como a adoção de normas de conduta para integrantes do Supremo Tribunal Federal ajudariam a reduzir a desconfiança da população brasileira na corte e reforçariam sua legitimidade para exercer os poderes que lhe foram conferidos pela Constituição de 1988.

A avaliação foi feita por especialistas que participaram nesta segunda-feira (10) do primeiro dia do ciclo de seminários "O Judiciário em Debate: Integridade, Eficiência e Acesso à Justiça", promovido pela Folha em parceria com a OAB-SP (seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil) e com apoio da AASP - Associação dos Advogados.

Pesquisa realizada pelo Datafolha em março mostrou que a desconfiança no STF alcançou níveis inéditos. Segundo o instituto, 43% dos brasileiros disseram não confiar no Supremo. A parcela dos que afirmam confiar muito no tribunal caiu de 24% para 16% desde dezembro de 2024.

Para a advogada Patrícia Vanzolini, ex-presidente da OAB-SP, que citou os dados no evento, o desgaste torna o Judiciário mais vulnerável a tentativas de captura política e ataques de grupos antidemocráticos.

"Prestar contas e obedecer são coisas distintas", disse. Para ela, ampliar a responsabilidade institucional sem reduzir a independência fortalece o sistema.