Para Stephan J. Kramer, presidente do serviço de inteligência interna do estado da Turíngia, na Alemanha, é preciso que as forças políticas do país iniciem um processo para proibir o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).
Dias antes das eleições no estado vizinho da Saxônia-Anhalt neste domingo (7), Kramer diz à Folha que há poucas dúvidas sobre as intenções antidemocráticas do partido. As pesquisas apontam que a AfD deve sair das urnas em Saxônia-Anhalt como o partido mais forte —resta saber se obterá a maioria necessária para chegar ao poder.
A Constituição alemã, escrita logo após a derrota do país na Segunda Guerra Mundial e da derrubada do nazismo, estabelece o que hoje se entende por "democracia defensiva" (wehrhafte Demokratie): o Estado detém meios para impedir que um partido ou movimento antidemocrático tente se apoderar de suas instituições. O mais poderoso desses instrumentos é a proscrição partidária.
Nesse sentido, o serviço de inteligência interna da Turíngia é o braço naquele estado do Escritório de Proteção à Constituição, órgão responsável por monitorar ameaças à ordem democrática alemã. Ele já havia classificado a seção estadual da AfD como comprovadamente de extrema direita em 2021.














