Alternativa para a Alemanha (AfD) deve obter entre 44% e 44,5% dos votos, segundo pesquisas boca de urna que estão sendo confirmadas pela apuração em andamento; CDU tem 18,5%, em segundo lugar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ulrich Siegmund, principal candidato do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt, e os copresidentes da legenda, Alice Weidel e Tino Chrupalla, comemoram após a divulgação das pesquisas de boca de urna das eleições estaduais da Saxônia-Anhalt — Foto: TOBIAS SCHWARZ/AFP O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou uma votação expressiva na eleição regional da Saxônia-Anhalt, estado do leste do país, com seus líderes reivindicando vitória após superar todas as legendas na disputa. Com cerca de 90% das urnas apuradas, o cenário que se confirmava era similar ao apontado por pesquisas boca de urna, que estimavam que a sigla alcançaria cerca de 44% dos votos — o que deve garantir pouco menos do que a maioria absoluta do Parlamento, o que forçaria a abertura de negociação com outras siglas para eleger o chefe do Executivo. O percentual de votos conquistados pela AfD neste domingo é cerca de 23 pontos percentuais acima do recebido nas últimas eleições regionais neste Estado localizado na antiga Alemanha Oriental. A liderança, porém, deve garantir entre 39 e 41 cadeiras no Parlamento estadual, onde a maioria absoluta é conquistada com 42 representantes. Historicamente, os demais partidos alemães recusam alianças com a sigla, cujo escritório estadual foi considerado uma organização extremista pelo Departamento de Proteção da Constituição, e lideranças são acusadas de gestos neonazistas. Mesmo sem acordo, o partido ainda pode assumir o poder, em um governo minoritário, a depender do resultado da negociação das demais siglas. — Fizemos história neste país — declarou Ulrich Siegmund, líder regional da AfD, à rede de TV alemã ARD. — Precisamos de uma mudança política fundamental neste país, com uma política que volte a cuidar dos nossos próprios interesses, finalmente. Nenhum partido de extrema direita governa um estado alemão desde a Segunda Guerra Mundial, um poder que garantiria à AfD atuar em áreas como segurança pública, educação local e cultura. Em uma região que fazia parte da antiga Alemanha Oriental, atualmente com população estimada em 2,1 milhões de habitantes, a sigla cresceu com propostas como aumentar o controle a imigrantes, a quem acusam pelo padrão financeiro e desemprego em taxas mais preocupantes que o lado ocidental do país. O crescimento da sigla extremista é proporcional à queda do partido conservador União Democrata Cristã (CDU, na sigla em alemão), segundo os dados atualizados na noite de domingo. O partido do chanceler Friedrich Merz, que controla o Executivo no âmbito local, deve fechar a disputa com algo em torno de 18,5% dos votos — mais de 19,5 pontos percentuais abaixo do resultado de 2021. Pesquisas boca de urna relacionam o insucesso com a impopularidade do chanceler, com três em cada quatro eleitores apontando que o conservador prejudicou a imagem que tinham da CDU. Atrás dos conservadores, bem distantes dos dois líderes, aparecem os social-democratas (SPD), o partido de esquerda Die Linke e os Verdes, com cerca de 9% dos votos cada um. Ainda não está claro se a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), uma sigla pró-Rússia com políticas associadas à esquerda e à direita, alcançará os 5% necessários para ter representação. Líderes do partido afirmaram que não apoiariam nem o AfD nem o atual governador do Estado, Sven Schulze, da CDU. Um cenário discutido em círculos políticos de Berlim na noite de domingo, segundo o New York Times, indicava que o BSW, que parecia consolidar a votação mínima, poderia abster-se em algum momento de votar para governador do Estado. Nesse caso, os outros partidos — Democratas Cristãos, Social-Democratas, Verdes e Die Linke — teriam uma cadeira a mais que o AfD, o suficiente para eleger um líder de sua escolha. Novo cenário político Ao votar em seu reduto eleitoral de Tangermünde, sob os aplausos de simpatizantes, Siegmund, de 35 anos, previu uma vitória capaz de provocar "uma recomposição do cenário político" alemão. Entre as suas propostas conhecidas estão um endurecimento da política migratória e a modificação do ensino de História — que considera excessivamente centrado na culpa da Alemanha pelos crimes do Terceiro Reich. Durante a campanha, o líder da AfD explorou a nostalgia pela antiga República Democrática Alemã (RDA, área de influência soviética até a queda do Muro de Berlim) entre os eleitores, que se consideram prejudicados em relação aos alemães do oeste e aos imigrantes. — Ele é realmente muito bom e próximo das pessoas comuns. Aproxima-se das pessoas, deixa todos falarem e escuta — afirmou à AFP Peter Harmuth, um funcionário da área de limpeza de 56 anos, em Tangermünde. Em Magdeburgo, capital regional, outros eleitores esperavam que as urnas contivessem o avanço da extrema direita em um país profundamente marcado pelos crimes do nazismo. — Espero simplesmente que, quando a votação terminar hoje, possamos constatar que a maioria dos habitantes de Magdeburgo e da Saxônia-Anhalt votou a favor da democracia — disse Sarah Stellmacher, funcionária de uma escola, de 35 anos. Cordão sanitário Para governar, o AfD ainda terá que romper o "cordão sanitário" imposto pelas demais forças políticas, que rejeitam alianças com o partido. Em contrapartida, o chefe do Executivo regional, Sven Schulze, terá que chegar a um acordo com todas as outras legendas que obtiverem representação parlamentar se quiser permanecer no cargo. Estados vizinhos da Saxônia e da Turíngia já têm governos minoritários liderados pelos conservadores e dependentes do apoio da esquerda radical. Neste domingo, Schulze afirmou após votar que havia "dado tudo" para conter o avanço do AfD. A polícia reforçou a segurança em Magdeburgo diante do temor de confrontos entre militantes de extrema direita e extrema esquerda. Jornalistas da AFP viram muitos policiais patrulhando os arredores do Landtag, o Parlamento regional, protegido por barreiras metálicas.
Extrema direita conquista ampla vantagem em eleição regional na Alemanha, mas deve ter que negociar para governar
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