Se conseguir maioria absoluta, a Alternativa para a Alemanha será o primeiro partido de ultradireita a comandar um governo regional do país desde o fim da Segunda Guerra Mundial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ulrich Siegmund, líder da Alternativa para a Alemanha (AfD) na Saxônia-Anhalt, celebra após fechamento das urnas no Estado — Foto: Fabrizio Bensch/Reuters A Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, ficou em primeiro lugar na eleição estadual da Saxônia-Anhalt neste domingo, mas ainda não está claro se conseguirá formar um governo sozinha, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas após o fechamento das urnas. Conforme o levantamento da emissora ARD, a AfD teria obtido 44,5% dos votos, enquanto a União Democrata-Cristã (CDU), do primeiro-ministro do país, Friedrich Merz, ficou com 18,5%. O Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, os Verdes e A Esquerda, legenda anticapitalista, também teriam superaram a cláusula de barreira para entrar no Parlamento. Urlich Siegmund, líder da AfD na Saxônia-Anhalt, afirmou antes da eleição que o objetivo do partido era conquistar cadeiras suficientes no Parlamento regional para formar um governo sem depender de uma coalizão com outros partidos. Ulrich Siegmund, candidato da AfD, vota ao lado da esposa em eleição regional da Saxônia-Anhalt, na Alemanha — Foto: Fabrizio Bensch/Reuters A extrema direita não controla um governo regional alemão desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Embora partidos da direita radical tenham avançado em outras partes da Europa, o passado nazista da Alemanha contribui para a resistência dos partidos tradicionais em cooperar com a AfD, numa política conhecida como “cordão sanitário”. Caso a AfD não obtenha maioria desejada, os demais partidos devem tentar costurar uma aliança fragmentada. O processo, porém, pode ser demorado, embora as legendas estejam dispostas a impedir a chegada ao poder de um partido investigado pelo serviço interno de inteligência da Alemanha por extremismo de direita. Siegmund, de 35 anos, disse que buscará diálogo com outros partidos e considera as acusações de extremismo contra a AfD como alarmismo, além de uma ofensa aos milhões de apoiadores da legenda. "Estendemos a mão a todas as forças democráticas que queiram adotar políticas melhores", disse ele, acrescentando que temas como imigração e segurança interna são inegociáveis. A copresidente da AfD, Alice Weidel, classificou o resultado como "histórico" e afirmou que ele deu à AfD um mandato claro para governar, embora ainda não esteja claro se o partido conseguirá formar maioria. A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), de esquerda populista e potencial parceira de coalizão da AfD, também pode superar a cláusula de barreira, segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas após o fechamento das urnas. O resultado deste domingo também representa mais um golpe para a autoridade de Merz, cuja popularidade caiu enquanto seu governo de coalizão enfrenta dificuldades para reanimar o crescimento da maior economia da Europa. A Saxônia-Anhalt, que tem o menor PIB per capita entre os 16 Estados da Alemanha, tem cerca de 2 milhões de habitantes. Desde a reunificação alemã, a região registrou uma queda populacional mais acentuada do que qualquer outro Estado, com redução de mais de um quarto no número de habitantes entre 1990 e 2024.