Saxônia-Anhalt é um estado alemão que pretende dar mais de 40% de seus votos para a AfD (Alternativa para Alemanha) nas próximas eleições regionais, em setembro. Com um ou dois pontos percentuais a mais, a sigla de extrema direita pode chegar ao poder e já se prepara para isso. Detalhes que emergem de seu plano de governo fazem políticos e observadores lembrarem de outro partido, o NSDAP, de Adolf Hitler.

Há quem veja exagero na comparação, feita de maneira pública por Dirk Wiese, coordenador parlamentar do SPD, a legenda social-democrata implacavelmente perseguida durante o Terceiro Reich. "Todos precisam entender o que está em jogo se a AfD chegar ao poder", disse o parlamentar em entrevista à revista Der Spiegel.

"Não se via uma interferência tão descarada no aparato estatal neste país desde o fim do regime nazista."

Há inúmeras medidas controversas nos planos da legenda para Saxônia-Anhalt e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, outro estado que vota em setembro e flerta com soluções fáceis e normalmente inviáveis do populismo. Grande parte não causa espanto a olhos brasileiros, acostumados a arroubos legislativos, como uma versão alemã do Escola sem Partido, discussões sobre gênero e mais poderes e equipamentos para a polícia.